Vitória (ES) – O avanço das ferramentas digitais e o espectro da manipulação de informações impõem desafios inéditos para o ciclo eleitoral que se aproxima. Para enfrentar essas incertezas, o Conselho de Comunicação Social do Congresso Nacional se reúne nesta segunda-feira, 1º de junho, em uma audiência pública desenhada para dissecar como a inteligência artificial e a desinformação podem alterar a disputa nas urnas em 2026.
O encontro, previsto para as 9h30, nasce de uma articulação conduzida por Angela Cignachi, vice-presidente do conselho e voz ativa da sociedade civil no colegiado. A aprovação do tema, ocorrida em 4 de maio, reflete uma urgência reconhecida nos corredores do Legislativo: a necessidade de antecipar problemas antes que o período de campanha transforme o debate público em um campo minado.
Foco em novas regras
Cignachi defende um escrutínio rigoroso sobre as recentes diretrizes fixadas pelo Tribunal Superior Eleitoral. Na visão da conselheira, o desafio vai além das máquinas. Envolve o calvário da responsabilização, que precisa equilibrar a conduta de candidatos, as omissões de plataformas de tecnologia e até o comportamento de eleitores que, voluntária ou inadvertidamente, servem como correias de transmissão para narrativas falsas. A expectativa de um clima político extremamente ruidoso motiva a antecipação dessas discussões.
Para oxigenar o debate, uma bancada técnica foi convocada. Estão previstos depoimentos de Tatiane da Costa Almeida, assessora-chefe de Enfrentamento à Desinformação do TSE, e do advogado Diogo Rais. O painel ganha corpo acadêmico e técnico com a participação de Maria Paula Almada, diretora de projetos do Aláfia Lab; Débora Salles, pesquisadora do Netlab da UFRJ; e Bruno Hoffman, que lidera o Clube Associativo dos Profissionais de Marketing Político.
Agenda e participação
A pauta não se esgota pela manhã. Logo após a audiência, o conselho retoma os trabalhos às 14h, desta vez em sessão deliberativa. O turno vespertino será dedicado aos trâmites institucionais, com o exame de relatórios sobre matérias legislativas em curso, o balanço do funcionamento das comissões internas e os avisos de rotina dos parlamentares e conselheiros.
A estrutura do evento foi pensada para abrir o Legislativo ao cidadão. Quem desejar participar poderá enviar questões e observações por meio do canal de atendimento telefônico da Ouvidoria do Senado, no número 0800 061 2211, ou através da plataforma e-Cidadania. As contribuições selecionadas entram no radar dos debatedores e podem ser abordadas durante as explanações. Para os estudantes interessados, a instituição disponibiliza uma declaração de participação, válida para contagem de horas complementares em instituições de ensino superior.
É uma tentativa, afinal, de criar uma zona de proteção institucional para que a disputa de 2026 não seja atropelada por algoritmos fora de controle. Se o diálogo terá efeito prático nas urnas, só o tempo dirá. Por enquanto, o trabalho é mapear o tamanho do obstáculo.













