O Oriente Médio viu a tensão subir bruscamente na madrugada desta quinta-feira (28), com uma ofensiva dos Estados Unidos contra o Irã. O ataque foi o segundo registrado em um intervalo de apenas 72 horas. A reação iraniana foi quase imediata: mísseis foram disparados em direção a instalações militares americanas, forçando uma interceptação em pleno espaço aéreo do Kuwait.
A cronologia do embate
Tudo começou quando forças americanas abateram cinco drones iranianos e impediram a decolagem de uma sexta aeronave não tripulada na cidade de Bandar Abbas. O Comando Central dos EUA justificou a investida alegando que os drones, nas proximidades do Estreito de Ormuz, representavam um perigo concreto. Já o Corpo da Guarda Revolucionária do Irã (IRGC) identificou a origem dos bombardeios americanos como sendo uma base específica no sul e, em retaliação, disparou contra o local às 4h50, pelo horário local.
O Estado-Maior do Kuwait confirmou a destruição de mísseis e drones inimigos, explicando que as explosões ouvidas por moradores na manhã de hoje foram fruto das defesas antiaéreas em ação. A ofensiva isolou ainda mais o Irã, com Arábia Saudita, Catar e Emirados Árabes Unidos emitindo críticas contundentes à violação do território kuwaitiano.
Cessar-fogo sob pressão
Enquanto os disparos ecoam no Golfo, a situação em solo libanês permanece desesperadora. Israel ignora o cessar-fogo e mantém bombardeios intensos em Beirute, mantendo uma guerra de atrito com o Hezbollah. O balanço humano desde o início da fase atual do conflito, em 2 de março, é devastador: 3,2 mil mortos e cerca de 9,7 mil feridos, segundo levantamento oficial libanês.
Teerã condiciona qualquer trégua a exigências que Washington, até agora, não demonstrou interesse em ceder. Ibrahim Azizi, à frente da comissão de segurança nacional do parlamento iraniano, foi taxativo na véspera: não haverá concessões sobre o enriquecimento de urânio, o controle estratégico do Estreito de Ormuz ou o levantamento de sanções econômicas que sufocam o país.
O cenário é de impasse absoluto. Enquanto os EUA pressionam pela entrega de estoques de urânio e pela livre navegação no Estreito, por onde escoa 20% do petróleo mundial, o Irã mantém suas “linhas vermelhas”. Para muitos analistas, o programa nuclear iraniano serve menos como um objetivo prático de negociação e mais como o pretexto de uma disputa de poder maior. No fundo, a tensão atual parece arquitetada para derrubar o atual regime iraniano, consolidar a hegemonia de Israel na região e frear, por tabela, a influência econômica chinesa sobre o Oriente Médio.







