Colatina (ES) – O surto de Ebola na República Democrática do Congo já deixou 17 mortos até esta quarta-feira (27). Os números indicam que a epidemia segue ativa e, ao mesmo tempo, pressionam autoridades de saúde a reforçarem a preparação para conter novos casos.
Até o momento, foram confirmados 121 casos da doença no país. Além disso, há 1.077 casos suspeitos em investigação e 238 mortes que ainda são consideradas prováveis em decorrência do Ebola.
A situação tem chamado atenção pela velocidade com que a transmissão ocorre. O quadro preocupa especialmente a OMS, que classificou a disseminação como “profundamente preocupante” por estar avançando rapidamente. No dia 17, a organização declarou o surto como emergência de saúde global, em resposta ao risco de escalada da doença.
Para a médica Carolina Lázari, da Sociedade Brasileira de Patologia Clínica e Medicina Laboratorial, a inquietação internacional está ligada às condições da região afetada. Ela explica que se trata de uma área fronteiriça, com alta circulação de pessoas entre países, o que amplia a chance de transmissão sem controle adequado. Soma-se a isso o contexto de conflito armado e vulnerabilidade social, fatores que tornam mais difícil tanto levar a população aos serviços de saúde quanto garantir diagnóstico e isolamento.
Na avaliação da especialista, esses entraves também dificultam o trabalho de monitoramento feito pelas equipes de saúde para rastrear contatos e aplicar medidas de contenção onde há risco de transmissão. Ela acrescenta que o Ebola apresenta alta letalidade e que a transmissão se dá por contato próximo, e não pelo ar, o que reduz a probabilidade de um cenário semelhante ao observado na covid-19.
No Brasil, o Ministério da Saúde informa que não há registro da doença. Ainda assim, o país ativou o Plano de Contingência Nacional para Febres Hemorrágicas Virais, voltado para situações como essa. A iniciativa incluiu ampliação da vigilância, com foco em pessoas que estiveram no Congo e na Uganda, locais onde houve registros recentes.
O plano orienta a identificação precoce de eventuais casos suspeitos, com notificação imediata, isolamento e acompanhamento do paciente. Ao mesmo tempo, estabelece que não deve haver medidas como fechamento de fronteiras nem restrições a viagens e comércio.









