Vitória (ES) – Os Estados Unidos bombardearam Bandar Abbas, cidade portuária iraniana, na noite dessa terça-feira, 25, e com isso colocaram em xeque o cessar-fogo que havia sido firmado com o Irã. O ataque acontece enquanto as duas partes tentam, há semanas, destravar negociações que seguem sem avanço.
Em comunicado à mídia dos Estados Unidos, o porta-voz do Comando Central das Forças Armadas dos EUA, Tim Hawkins, afirmou que os militares atingiram “locais de lançamento de mísseis e barcos que colocavam minas” no Estreito. O objetivo, segundo a nota, foi impedir ameaças atribuídas às forças iranianas na região.
Bandar Abbas fica na faixa costeira do Estreito de Ormuz, uma das rotas estratégicas mais sensíveis do Oriente Médio. O estreito, fechado por Teerã após o início da agressão dos EUA e de Israel em 28 de fevereiro, passou a ser um ponto central do conflito e também das conversas diplomáticas.
O Irã não detalhou quais alvos teriam sido atingidos nos bombardeios. Ainda assim, mídias locais, como a Irna e a Mehr News Agency, relataram múltiplas explosões no leste de Bandar Abbas e em áreas costeiras, enquanto a situação da cidade, de acordo com essas informações, “permanece totalmente sob controle”.
Os EUA sustentaram que a operação foi uma ação de “autodefesa” para proteger tropas diante de ameaças representadas pelas forças iranianas. Também disseram que, durante o cessar-fogo em curso, os militares estariam “agindo com moderação”, conforme a divulgação feita naquele comunicado.
Do lado iraniano, o Corpo da Guarda Revolucionária do Irã, o IRGC, informou que derrubou um drone MQ-9 Reaper dos EUA no Golfo Pérsico, alegando que a aeronave teria invadido o espaço aéreo do país. A mensagem acrescentou que qualquer violação do cessar-fogo seria respondida com severidade.
O Ministério das Relações Exteriores do Irã publicou nota criticando a “flagrante violação do cessar-fogo” pelos Estados Unidos. No texto, o governo iraniano afirmou que a sequência de atos agressivos, ocorrendo ao mesmo tempo em que o Paquistão conduz um processo de mediação diplomática, mostrou “má-fé” e a quebra de promessas do governo dos EUA à nação iraniana, aos povos da região e à comunidade internacional.
Teerã também declarou que “não deixará nenhum mal impune” e que não hesitará em defender a ação iraniana. A resposta, portanto, não ficou restrita a uma condenação formal do ataque, mas foi apresentada como parte de uma postura de retaliação caso o cessar-fogo continue sendo desrespeitado.
Negociações sem resultado
A violação do cessar-fogo ocorre em meio a tentativas de paz que não produziram resultados após quase sete semanas, contadas a partir da frágil trégua firmada entre os países. A cada novo impasse, as conversas parecem ganhar mais resistência do que encaminhamento.
As exigências iranianas e norte-americanas seguem desencontradas. O Irã pede a saída das bases militares dos EUA do Oriente Médio, além do desbloqueio dos recursos do país congelados no exterior e do levantamento das sanções econômicas. Já Washington condiciona o avanço a entregas de urânio iraniano e à abertura completa do Estreito de Ormuz, por onde transitavam cerca de 20% do petróleo do planeta.
O Irã, por sua vez, se recusa a discutir, neste primeiro momento, o programa nuclear do país, que o governo afirma ser voltado para fins pacíficos. Ao mesmo tempo, defende uma nova gestão para o Estreito de Ormuz, diferente do modelo existente antes da guerra, deixando claro que a disputa não se resume apenas a energia, mas também a controle e regras de navegação.
Analistas consultados pela Agência Brasil apontaram que a justificativa apresentada pelos EUA e por Israel para iniciar a guerra contra o Irã, atribuída ao programa nuclear do país, entre outros motivos, seria apenas um pretexto. O objetivo principal, segundo essa leitura, seria a queda da República Islâmica, como forma de projetar poder de Israel na região e impedir a expansão econômica da China.







