Brasília (DF) – Em um encontro que ecoou a importância do esporte na formação do país, o Congresso Nacional foi palco nesta quarta-feira (3) de uma sessão solene para celebrar os 112 anos do Comitê Olímpico do Brasil (COB). A ocasião reuniu parlamentares, dirigentes esportivos e atletas para um balanço dos avanços do esporte brasileiro e o crescente destaque de nossos competidores em palcos internacionais. A entidade, responsável por capitanear o movimento olímpico em terras brasileiras, teve sua trajetória celebrada.
A iniciativa partiu da senadora Leila Barros (PDT-DF) e do deputado Saulo Pedroso (PSD-SP). Para Leila Barros, o COB figura como um pilar na história esportiva nacional, com contribuições inestimáveis para políticas de desenvolvimento humano, social e para a projeção da imagem do Brasil globalmente através dos Jogos Olímpicos. Fundado em 1914, o COB não apenas ostenta o título de primeiro comitê olímpico da América do Sul, mas viu sua história se entrelaçar com a própria evolução esportiva do país, testemunhando sua ascensão de “primeiros passos” a uma potência olímpica reconhecida.
Saulo Pedroso complementou os elogios, exaltando a governança, a transparência e o papel crucial do COB no amadurecimento esportivo do Brasil. Ele fez questão de sublinhar a relevância de associações, clubes, federações e a fundamental atuação dos projetos de base que lapidam talentos desde a infância.
A secretária nacional de Excelência Esportiva, Iziane de Oliveira, que também carrega em seu currículo a experiência de atleta olímpica, destacou o papel insubstituível do COB na preparação e no aprimoramento dos atletas brasileiros. “Ao longo desses 112 anos, o COB consolidou-se como uma das instituições mais importantes do esporte nacional”, disse, ressaltando sua decisiva contribuição para o alto rendimento que hoje enche o país de orgulho.
Marco Antônio La Porta, presidente do COB, usou seu tempo para defender o esporte como uma força motriz de transformação social. Ele enfatizou que, embora o desempenho em competições seja uma faceta importante, a missão da entidade transcende a busca por medalhas imediatas. “Talvez nossa grande missão seja plantar sementes: sementes de uma cultura esportiva mais forte, semente de um país mais ativo, semente de oportunidades para milhões de crianças e jovens”, declarou La Porta, vislumbrando um futuro onde o esporte se torne política permanente de desenvolvimento nacional.
A visão de La Porta foi corroborada por Rafael Carlos da Silva, vice-presidente da Comissão de Atletas do COB. Ele apontou que o impacto do esporte se estende muito além dos resultados nas arenas, oferecendo propósito, nutrindo sonhos e funcionando como um escudo contra as tentações da violência e das drogas para jovens e crianças. A judoca medalhista olímpica Ketleyn Quadros adicionou sua voz, lembrando que cada conquista atlética é fruto de um esforço coletivo – família, técnicos e instituições que acreditam no potencial antes mesmo dos resultados aparecerem. Sua própria trajetória, desde carregar a bandeira do Brasil em Tóquio até a recente conquista em Paris, ilustra a capacidade do esporte de moldar o indivíduo e abrir horizontes.
Um ponto de atenção na reunião foi o financiamento. Os presentes reconheceram a evolução do movimento olímpico e o papel do COB no apoio crescente aos atletas. No entanto, a discussão girou em torno da preservação desses investimentos. Há preocupação com a proposta que tramita na PEC da Segurança Pública, que, segundo as projeções, poderia desviar cerca de 30% dos recursos do esporte para o Sistema Nacional de Segurança Pública. Adicionalmente, a derrubada do veto à isenção tributária para importação de equipamentos esportivos foi defendida. La Porta foi enfático: “Estamos defendendo apenas a preservação dos investimentos que já foram conquistados, que hoje ajudam a transformar vidas. Porque o esporte não é custo, o esporte é investimento”.
A sessão contou ainda com a participação de figuras como Emanuel Fernando Scheffer Rêgo, diretor-geral do COB e medalhista olímpico, o deputado Luiz Lima (Novo-RJ), o presidente da Confederação Brasileira de Handebol, Felipe Tadeu Moreira Lima do Rêgo Barros, e a ex-atleta olímpica Virna Cristine Dias Piovezan.












