Brasília (DF) – O Sistema Único de Saúde inicia, na segunda quinzena de junho, a oferta da vacina Pneumo 20 para crianças de até cinco anos. A novidade foi detalhada pelo ministro da Saúde, Alexandre Padilha, na última quarta-feira (3). Com a implementação, o país substitui a versão 10-valente, que dominou o calendário básico por anos, por uma fórmula significativamente mais robusta — capaz de neutralizar 20 sorotipos diferentes da bactéria Streptococcus pneumoniae.
Essa transição atende a uma demanda clínica clara: o aumento nos registros de doenças invasivas. Dados oficiais mostram que, entre 2013 e 2019, a média de casos de meningite pneumocócica em crianças pequenas era de 164 por ano. Esse número saltou para 211,3 anuais no triênio entre 2022 e 2024. A nova composição é direta ao ponto, pois protege justamente contra linhagens, como a 3, 6A e 19A, responsáveis por quase 40% das ocorrências graves mapeadas entre 2018 e 2023 que a antiga versão não combatia.
O desafio agora é logístico. O governo já deu início à entrega de um primeiro lote com 514 mil doses aos estados e municípios. A expectativa total para o ano ultrapassa 6,1 milhões de unidades. Enquanto os estoques da Pneumo 10 não se esgotam, o SUS adotará um esquema de transição: aplicação da Pneumo 20 aos 2 meses de vida, um reforço com a versão anterior aos 4 meses e a dose final, novamente com a Pneumo 20, aos 12 meses. O monitoramento dessa trajetória pode ser feito pelos responsáveis via aplicativo Meu SUS Digital.
Além do público infantil, o cronograma estratégico contempla povos indígenas acima de 5 anos sem vacinação prévia, idosos acamados ou residentes em instituições e pessoas com condições clínicas específicas atendidas pelo CRIE. Na rede particular, o valor de mercado de uma única dose pode ultrapassar os R$ 500, tornando a oferta pública um passo central na política de prevenção.
O cenário, segundo a pasta, é de recuperação das coberturas vacinais. O índice do esquema básico, que balançou até 2022, mostra números positivos, saltando de 90% em 2023 para cerca de 93% no ano passado. Padilha sustenta que o combate ao negacionismo é o pilar que sustenta essa retomada da credibilidade no Programa Nacional de Imunizações. Resta saber se o ritmo da distribuição conseguirá frear a curva crescente da bactéria antes que novos surtos impactem a rede pública de assistência hospitalar.












