Brasília (DF) – O vice-presidente Geraldo Alckmin buscou, nesta terça-feira (21), afastar o tom de beligerância nas relações comerciais com Washington. Ao comentar a aplicação da Lei da Reciprocidade, o gestor enfatizou que a iniciativa não pretende inaugurar um cenário de retaliações ou a lógica destrutiva do “olho por olho”, mas servir como uma ferramenta técnica para corrigir desequilíbrios considerados injustos pelo Palácio do Planalto. A declaração ocorreu após um encontro com líderes empresariais preocupados com o impacto das novas tarifas impostas pela gestão de Donald Trump.
A legislação, chancelada unanimemente pelo Congresso no ano passado, funciona como um instrumento de resposta institucional. Alckmin assegurou que qualquer medida futura passará pelo devido rigor procedimental, incluindo audiências públicas e consultas. Paralelamente a esse debate, o governo articula um plano de contingência focado em três frentes: suporte financeiro direto às companhias, busca por destinos alternativos para os produtos nacionais e um canal de comunicação permanente com o setor produtivo.
A taxação estadunidense recai sobre 18% das exportações brasileiras, movimentando valores na casa dos US$ 7,4 bilhões. O cenário pode ser agravado por um acréscimo de 12,5% nas alíquotas iniciais de 25%, dependendo de determinações previstas para a próxima sexta-feira. O ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Márcio Elias Rosa, reforçou a urgência da resposta interna. O foco principal é mitigar os prejuízos e oferecer fôlego operacional aos exportadores atingidos.
Para aliviar o caixa das empresas impactadas, o Executivo estuda conceder crédito por meio do programa Brasil Soberano, direcionado ao capital de giro e novos investimentos. Outra frente de atuação envolve o regime de drawback, com a expectativa de flexibilizar prazos e exigências tributárias para que os fabricantes não sejam penalizados caso precisem reorientar suas vendas. O governo também discute critérios para a manutenção de postos de trabalho em companhias que receberem esse auxílio emergencial.
A estratégia de longo prazo passa pela ApexBrasil, que já mapeou alvos prioritários para reduzir a dependência do mercado norte-americano. Índia, México, Singapura e Japão encabeçam a lista, com atenção redobrada para o Sudeste Asiático e a evolução nas tratativas do Mercosul com a União Europeia e a EFTA. A diversificação é vista como a chave para proteger setores sensíveis, como eletroeletrônicos, autopeças, máquinas e calçados.
O cronograma do governo é apertado. Antes que a sobretaxa de 25% entre em vigor para as mercadorias já em trânsito — data marcada para 29 de julho —, o Ministério pretende concluir o diagnóstico detalhado com entidades de diversos ramos, incluindo plásticos e borracha. Uma missão comercial à Índia já está nos planos para abrir portas aos fabricantes nacionais de máquinas e equipamentos, em uma tentativa de compensar, via novos parceiros, as perdas causadas pelo atual cenário de instabilidade no mercado dos Estados Unidos.










