Brasília (DF) – O Fisco colocou sob uma lupa rigorosa o balanço contábil de 12 mil empresas brasileiras. A conta não fecha: foram detectadas inconsistências na casa dos R$ 44 bilhões em créditos declarados de PIS e Cofins. Agora, o caminho para essas companhias é retificar as informações dentro da Escrituração Fiscal Digital das Contribuições, a EFD-Contribuições, para alinhar os números com o que foi efetivamente registrado.
A preocupação por trás do pente-fino não é apenas a regularidade imediata. O governo trabalha com um horizonte claro: a entrada em cena da reforma tributária em 2027. Nesse cenário, o PIS e a Cofins darão lugar à Contribuição sobre Bens e Serviços, a CBS. Evitar ruídos agora é o único jeito de garantir que os créditos sobrevivam ao corte das regras antigas.
Pense no volume envolvido. O estoque total desses créditos espalhados pelo país chega a R$ 140 bilhões. Estamos falando de um montante bilionário onde 100 mil empresas mantêm seus registros, mas com uma distribuição bastante desigual. A vasta maioria — cerca de 90% desses contribuintes — possui saldos abaixo de R$ 1 milhão. Em uma ponta menor, 70% detêm valores inferiores a R$ 100 mil. O problema detectado agora atinge, portanto, uma fatia que pode carregar grande peso nessas futuras compensações.
O que acontece na prática com quem está com a documentação em dia? O crédito não desaparece. A promessa é de que os saldos legítimos continuem servindo como moeda para abater dívidas com tributos federais ou até mesmo para pedir ressarcimento em dinheiro. Com a virada de chave para a CBS, será possível ainda usar esses valores para compensar débitos da nova contribuição. O sistema PER/DCOMP Web será a ferramenta operacional desse aproveitamento, trazendo uma funcionalidade específica para puxar automaticamente os dados de dezembro de 2026.
Essa automação mira a eficiência. Ao puxar o saldo final da EFD-Contribuições ao término de 2026, espera-se que a burocracia diminua e a segurança dos dados aumente. Ninguém quer lidar com um gargalo administrativo no meio de uma transformação que promete mudar a mecânica tributária de toda a cadeia produtiva.
Estamos entrando em um período de transição que já exige atenção redobrada. Em 2026, o cenário será de adaptação, com a aplicação de uma alíquota simbólica de 0,9% para a CBS e 0,1% para o Imposto sobre Bens e Serviços, que funcionará sob administração estadual e municipal. Esse ensaio servirá de base antes da extinção gradual dos modelos anteriores, que começa oficialmente a partir de 2027. Para as empresas, o momento de limpar a casa é agora. Qualquer erro nos registros pode se transformar em um entrave desnecessário lá na frente, quando a nova engrenagem fiscal estiver operando a pleno vapor.











