Serra (ES) – O mercado financeiro viveu uma quarta-feira, 3 de junho, marcada pela desconfiança. O cenário externo, infestado de incertezas, falou mais alto e convenceu os investidores a abandonar posições em mercados emergentes. O Ibovespa não resistiu à pressão, fechando o pregão com uma queda expressiva de 2,22%, cotado a 170.330 pontos. Foi o suficiente para devolver todo o alívio que o mercado tinha experimentado no dia anterior.
Ao longo da jornada, a mínima do índice beirou os 170.007 pontos. Quem olhava o telão via um movimento de venda técnica pesada, levando o índice ao seu ponto mais baixo desde 20 de janeiro. Não é exagero dizer que este é o maior tombo diário visto desde o dia 7 de maio. O saldo da semana já mostra um prejuízo de 1,99%, espremendo a alta acumulada em 2026 para meros 5,71%.
Câmbio em trajetória ascendente
Não foi apenas o mercado acionário que sentiu o golpe. O dólar comercial saltou 1,14%, consolidando a cotação em R$ 5,067. Houve momentos, durante o início da tarde, em que a divisa americana beliscou os R$ 5,09. O reflexo imediato é uma perda de fôlego do real, que amargou um dos piores desempenhos entre as moedas de países emergentes nesta sessão. Parte desse movimento pode ser atribuída à antecipação defensiva dos agentes financeiros por conta do feriado de Corpus Christi.
No horizonte imediato, pesam os dados econômicos aquecidos nos Estados Unidos. A percepção geral é de que os juros por lá devem permanecer em níveis altos por mais tempo, drenando liquidez de mercados como o brasileiro. Apesar da disparada de hoje, é preciso contextualizar: o dólar ainda mantém uma queda de 7,69% frente ao real no saldo deste ano.
Tensões geopolíticas e tarifas comerciais
O agravamento do conflito entre Washington e Teerã derrubou o otimismo nas bolsas norte-americanas, e o efeito cascata foi inevitável em solo brasileiro. Somado a isso, o Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos trouxe um novo componente de tensão: uma proposta tarifária que visa punir supostas práticas de trabalho forçado, somando-se à recomendação anterior de taxar em 25% parte das exportações nacionais.
O medo de um fechamento ou bloqueio do Estreito de Ormuz — rota vital para o comércio global de petróleo — elevou os preços da commodity. O barril do Brent fechou em US$ 97,81, uma alta de 1,89%, enquanto o WTI avançou 2,4%, indo para US$ 96,02. Quando o petróleo dispara por razões geopolíticas, o alerta de inflação acende automaticamente, gerando uma onda de cautela que atravessa fronteiras e mantém os grandes capitais longe de qualquer ativo que sugira risco.











