Brasília (DF) – O fluxo de mercadorias brasileiras destinadas ao mercado estadunidense enfrentou um recuo de 14% em maio, quando comparado ao mesmo período de 2025. Esse declínio não é uma surpresa isolada; desde agosto do ano passado, o cenário tem sido de retração constante, justamente a partir do momento em que o governo de Donald Trump implementou novas barreiras tarifárias sobre diversos itens.
Embora os números reflitam uma evidente perda de tração nas relações bilaterais, a interpretação técnica oficial prefere a cautela. Analistas apontam que o comércio internacional possui inércias próprias, com adaptações que levam meses — ou até anos — para se consolidar. Bens que possuem produção sob encomenda costumam absorver choques de custo mais rapidamente do que commodities como café, celulose e carnes, pilares centrais do que o Brasil embarca aos Estados Unidos.
O ritmo dessa queda, inclusive, vem perdendo fôlego. Após atingir um tombo de 35% em outubro, o índice de recuo mensal começou a ser suavizado, passando por quedas de 26% em janeiro e 20% em fevereiro, até estabilizar em torno de 10% em março e abril, voltando a marcar 14% em maio. No acumulado dos primeiros cinco meses do ano, as exportações para o país somaram US$ 14,01 bilhões, uma retração de 16% na comparação anual.
A dança dos mercados
Enquanto as vendas para Washington esfriam, Pequim assume protagonismo cada vez maior. Em maio, as exportações brasileiras para a China saltaram 9,5%, totalizando US$ 10,5 bilhões. O saldo favorável dessa relação chegou a US$ 3,7 bilhões apenas no último mês. Nos cinco primeiros meses de 2026, a participação chinesa em nossa pauta exportadora subiu para 32,9%, evidenciando a concentração das rotas de escoamento da produção nacional no país asiático.
O fator energético
O setor de petróleo e combustíveis tem sido protagonista nessa dinâmica global. O conflito no Oriente Médio provocou instabilidade na oferta, o que, por consequência, inflacionou os preços internacionais e favoreceu o Brasil. As exportações de óleos combustíveis cresceram 49,8% em valor durante o mês de maio. Já o petróleo bruto apresentou um comportamento distinto, com recuo de 9,3% no valor financeiro e uma queda acentuada de 42,1% no volume físico embarcado.
Apesar de questionamentos sobre o peso de tributos na exportação de óleo cru, a avaliação é de que o mercado brasileiro mantém sua competitividade. Investimentos continuam a todo vapor, com novas plataformas, como a que entrou em operação em fevereiro, assegurando que a oferta não sofra paralisações estruturais devido a custos de curto prazo.
Ao olharmos para o saldo comercial do ano até aqui, o Brasil acumula um superávit robusto de US$ 32,662 bilhões de janeiro a maio de 2026. O montante supera com folga os US$ 24,33 bilhões alcançados no mesmo intervalo do ano anterior, sustentado principalmente pela forte demanda chinesa e pelo aquecimento dos preços das commodities energéticas.











