São Paulo (SP) – A Seleção Feminina dos Estados Unidos, dona de um currículo invejável — quatro Copas do Mundo e cinco ouros olímpicos —, desembarcou no Brasil com o olhar fixo em dois amistosos agendados, mas também com a Copa de 2027 no horizonte. No centro da preparação em São Paulo, contudo, um nome transcende qualquer rivalidade e gera reverência sincera: Marta Vieira da Silva.
A idolatria pela Rainha do futebol, maior jogadora da história para muitos, alcança até mesmo as adversárias mais vitoriosas. “Marta é uma lenda! Honestamente, estar em campo com ela é surreal”, afirmou a meio-campista Rose Lavelle, no centro de treinamento do São Paulo. Com um riso de quem reconhece a magnitude da tarefa, completou: “É a jogadora em que muitas de nós se espelharam. Enfrentá-la é um desespero.”
Não é só ela. A capitã da equipe, Lindsay Heaps, ecoou o sentimento ao destacar a paixão da brasileira. “Admiro a maneira como ela encara o jogo, técnica e taticamente, e o quanto ela gosta de jogar. Ela tem uma mentalidade vencedora e traz muita alegria aos torcedores”, disse Heaps, sobre o encanto da camisa 10.
No histórico, a balança pende fortemente para as norte-americanas, com apenas quatro triunfos brasileiros em 43 confrontos. No entanto, um resultado recente reacendeu a chama verde e amarela: a vitória por 2 a 1 sobre as rivais no PayPal Park, em San Jose, na Califórnia, com gols de Kerolin e Amanda Gutierres. Uma prova de que a equipe, agora sob o comando de Arthur Elias, segue um desafio de classe mundial.
A técnica dos Estados Unidos, Emma Hayes, não poupou elogios ao trabalho da Seleção Brasileira. “O Brasil é um time de classe mundial, com um grande técnico. Sou grande fã do trabalho dele. A equipe joga com muita responsabilidade e torna muito difícil ter o controle do jogo. Não importa quem elas enfrentam, estão sempre em alto nível. E nunca desistem”, pontuou Hayes, ressaltando o bom momento desta geração.
Com a Copa de 2027 confirmada no Brasil, as americanas precisam primeiro garantir sua vaga, ficando entre as quatro seleções mais bem colocadas no Campeonato da Confederação de Futebol das Américas do Norte, Central e Caribe (Concacaf), que sediarão entre 27 de novembro e 5 de dezembro. “Que experiência pode ser melhor do que estarmos aqui para enfrentar o Brasil, na casa delas e onde será a Copa do Mundo?”, questionou Heaps, ansiosa por aproveitar ao máximo a vivência.
Hayes, por sua vez, vê no futebol feminino uma “indústria multibilionária”, um esporte em ascensão global. “É um investimento inteligente. Espero que a Copa traga ao Brasil mais investimento nos clubes, maior profissionalização. E o mais importante: que as meninas sigam jogando o máximo de tempo possível”, projetou a treinadora, ciente do “impacto massivo” do Mundial no país.
Em solo brasileiro, as vitórias da Seleção sobre as norte-americanas, ainda que raras, guardam momentos memoráveis. Em 2007, nos Jogos Pan-Americanos do Rio de Janeiro, o Maracanã viu um 5 a 0 inesquecível. Mais tarde, em 2014, um empate sem gols no Mané Garrincha deu ao Brasil o título do Torneio Internacional de Brasília — o último embate entre as equipes em solo nacional.
Este sábado, às 18h30 (horário de Brasília), a Neo Química Arena sedia o primeiro dos dois confrontos. O segundo amistoso está agendado para a próxima terça-feira, dia 9, às 21h30, na Arena Castelão, em Fortaleza, prometendo mais um capítulo de uma rivalidade histórica com pitadas de admiração mútua.













