Ibatiba (ES) – O relógio começou a girar para o próximo Mundial e, com ele, surgem as incertezas sobre o que restou da Amarelinha. Após a queda nas oitavas de final para a Noruega — o desempenho mais modesto do Brasil em Copas desde 1990 —, o torcedor encara a contagem regressiva de 1.419 dias para 2030 questionando se ainda há espaço para Neymar no elenco nacional.
Dados coletados pela IMO Insights revelam que 46% do público considera o ciclo do camisa 10 finalizado. Embora a margem não seja uma maioria absoluta, a rejeição ganha corpo quando o assunto é renovação: 67% dos entrevistados acreditam que a ausência do jogador seria o caminho natural para dar lugar a novos nomes no próximo quadriênio. Apenas 14% discordam dessa abertura de espaço, enquanto 18% preferiram não opinar.
O desgaste de imagem é evidente. Comparado ao período anterior à última Copa, o atacante perdeu seis pontos percentuais como o favorito do público e viu crescer sua rejeição, isolando-se no topo da lista de jogadores que menos despertam simpatia. Simona Karen Miranda, diretora de Operações da IMO, observa que o debate superou a esfera técnica. Não se trata apenas de uma queda de popularidade, mas de um desejo latente por mudanças estruturais.
Neymar, que enfrentou uma série de lesões e atuou por apenas 55 minutos no Mundial — marcando um gol de pênalti contra a Noruega —, possui um histórico de 80 gols em 130 partidas oficiais. O número o coloca no topo da artilharia histórica da Seleção, superando Pelé. Ainda assim, seu futuro profissional permanece em aberto, com contrato vigente no Santos até o final deste ano e o apoio público de seu pai para que continue nos gramados.
A sombra da gestão na CBF
O descontentamento do torcedor não se restringe às quatro linhas. A instabilidade administrativa na CBF, marcada por trocas constantes na presidência e a passagem de quatro técnicos entre 2022 e 2026, gerou um coro por reformas. Segundo o levantamento, 86% dos brasileiros defendem transformações profundas na entidade.
Curiosamente, a responsabilidade pela eliminação recente foi diluída. Apenas 14% culparam a gestão da CBF diretamente pelo desfecho, enquanto 30% apontaram o desempenho do elenco e 20% as escolhas táticas de Carlo Ancelotti como fatores decisivos. Para o torcedor, o Brasil ainda mantém a essência de potência mundial, apesar de reconhecer, em 70% das respostas, que o protagonismo da Seleção no cenário global sofreu um declínio claro nos últimos anos.









