Brasília (DF) – As exportações brasileiras de produtos de alta tecnologia avançaram 7,7% em 2025, mas ainda ocupam uma fatia pequena da pauta externa do país. O levantamento divulgado nesta terça-feira, 26, mostra que essas vendas somaram US$ 9,1 bilhões no ano passado e ficaram em apenas 2,7% do total exportado.
Na comparação com bens de baixa intensidade tecnológica, o contraste é grande. Essa segunda categoria atingiu US$ 130,7 bilhões em 2025, respondendo por 37,5% das exportações brasileiras, segundo os dados usados no estudo.
O material também aponta que as exportações de alta tecnologia seguem 15 vezes menores do que as de baixa intensidade tecnológica. A diferença, portanto, não está no ritmo de crescimento recente, mas na estrutura da inserção do Brasil no comércio internacional.
Desafio para a indústria
Para a gerente de Comércio e Integração Internacional da CNI, Constanza Negri, o resultado evidencia um desafio direto para a competitividade da indústria brasileira. Em nota, ela associa a qualidade do crescimento ao avanço em segmentos de média-alta e alta intensidade tecnológica.
Negri argumenta que ampliar a participação desses setores é uma forma de diversificar a pauta exportadora do país. A meta, segundo a avaliação apresentada, é fortalecer a presença internacional da indústria nacional com produtos que agreguem mais tecnologia.
Consumo atendido por importações
O levantamento também relaciona o desempenho do mercado interno ao comportamento das compras externas. O aumento do consumo no país foi suprido principalmente por produtos importados, o que ajuda a explicar o desequilíbrio observado nas contas do setor industrial.
Em 2025, o volume de importações cresceu 6,1%. Ao mesmo tempo, a indústria de transformação encerrou o ano com déficit comercial recorde de US$ 71,3 bilhões, maior da série histórica iniciada em 1997.
As importações da indústria de transformação chegaram a US$ 259,7 bilhões, alta de 8,6% em relação ao ano anterior. A CNI destaca que químicos, máquinas e equipamentos eletrônicos e veículos automotores responderam por mais da metade das compras externas desse segmento.
Exportações industriais sobem apesar do déficit
Mesmo com o déficit comercial recorde, as exportações industriais brasileiras cresceram 3,7% em 2025 e somaram US$ 188,4 bilhões. O avanço ocorreu em um contexto de preços internacionais com queda, o que torna o resultado menos óbvio para o leitor.
A participação da indústria de transformação nas exportações do Brasil subiu de 53,9% para 54,1%. Isso aconteceu apesar da redução de 1,7% nos preços internacionais dos bens manufaturados.
Dentro da pauta, os bens de consumo semiduráveis e não duráveis alcançaram participação recorde. A categoria respondeu por 22,8% das exportações brasileiras em 2025, impulsionada principalmente pelas vendas de alimentos e bebidas industrializados.
As exportações de carne bovina para a China também ganharam destaque no período. Já setores como alimentos, veículos automotores e metalurgia concentraram 58% das exportações industriais brasileiras, reforçando o peso desses segmentos na composição do desempenho externo.
EUA e China
Nos destinos, os Estados Unidos permaneceram como principal mercado das exportações brasileiras da indústria de transformação, mesmo com retração de 4,2% nas vendas. As exportações para o país somaram US$ 30,2 bilhões em 2025.
A China, por sua vez, ampliou as compras de produtos industriais brasileiros em 19,4%, totalizando US$ 22 bilhões no ano passado. O setor de alimentos foi apontado como principal responsável pelo crescimento das exportações ao mercado asiático.
Nas importações, a China seguiu na liderança entre os fornecedores de bens industriais ao Brasil, com vendas de US$ 70,6 bilhões.
Argentina
As exportações brasileiras para a Argentina chegaram a US$ 18,1 bilhões em 2025, com avanço de 31,4% sobre o ano anterior. O desempenho foi puxado pelo setor automotivo, que registrou crescimento de 57,2% nas vendas ao mercado argentino.
Veículos de passageiros, caminhões e autopeças lideraram as exportações para o país vizinho, mostrando como a dinâmica regional segue influenciando a composição da pauta industrial.












