Brasília (DF) – O Tesouro Direto registrou, em abril, o melhor desempenho para meses de abril desde o início da série histórica. As vendas de títulos públicos para pessoas físicas pela internet bateram recorde de 8,55 bilhões de reais no mês passado, informou o Tesouro Nacional nesta terça-feira, 26.
O resultado veio com recuo em relação a março. Em março, as vendas somaram 14,79 bilhões de reais, número que havia estabelecido recorde histórico para todos os meses. Com esse comparativo, abril ficou 42,2% menor.
Mesmo assim, na comparação com o mesmo mês do ano anterior, o volume foi maior. Em abril do ano passado, as vendas foram inferiores, e agora o montante representa 20,6% a mais do que naquele período.
Parte da queda de abril em relação a março tem explicação no calendário de vencimentos. Em março, venceram 7,07 bilhões de reais em títulos corrigidos pela Selic, juros básicos da economia. Como os investidores trocaram os papéis pelo mesmo tipo de título, o movimento ajudou a sustentar o patamar elevado naquele mês. Em abril, como esse vencimento não se repetiu, as vendas diminuíram.
Em março, a preferência dos investidores se concentrou nos títulos vinculados aos juros básicos. Eles responderam por 55,4% do total vendido. Já os papéis corrigidos pela inflação, ligados ao Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo, ficaram com 24% das vendas. Os prefixados, com juros definidos no momento da emissão, somaram 13,1%.
Entre os produtos do Tesouro voltados a objetivos específicos, o Tesouro Renda+ aparece com participação menor, mas relevante. Lançado no início de 2023 e destinado ao financiamento de aposentadorias, ele respondeu por 4,9% das vendas. Já o Tesouro Educa+, criado em agosto de 2023 para financiar uma poupança para o ensino superior, atraiu 1,9% das vendas.
O interesse pelos papéis vinculados aos juros básicos está ligado ao nível da Taxa Selic. A taxa, que estava em 10,5% ao ano até setembro de 2024, passou para 14,5% ao ano. Com juros elevados, esses títulos seguem atrativos para quem busca rendimento atrelado ao indicador.
Os títulos ligados à inflação também ganharam espaço na carteira de investidores por causa da expectativa de alta da inflação oficial nos próximos meses. A lógica é simples, ao menos para quem acompanha o noticiário econômico, a proteção depende do comportamento dos preços, e não de uma taxa fixa desde o início.
O estoque total do Tesouro Direto chegou a 242,26 bilhões de reais no fim de abril. O número subiu 3,34% em relação ao mês anterior, quando estava em 234,42 bilhões de reais, e avançou 41,99% na comparação com abril do ano passado, de 170,86 bilhões de reais.
A alta do estoque ocorreu por dois fatores citados no balanço. Primeiro, a correção pelos juros. Depois, o fluxo positivo do mês, já que as vendas superaram os resgates em 5,16 bilhões de reais.
No recorte de investidores, o programa incorporou 226.677 participantes em abril. Com isso, o total de investidores atingiu 35.324.665. Nos últimos 12 meses, o crescimento acumulado chegou a 9,69%.
Dentro desse universo, os investidores ativos, com operações em aberto, somaram 3.472.053. Esse grupo registrou alta de 16,36% em 12 meses, indicando que parte relevante dos novos participantes mantém movimentações contínuas.
O perfil de participação de pequenos investidores aparece nos dados de vendas por faixa de valor. Em abril, operações de até 5 mil reais representaram 78% do total de 938.747 vendas. Só as aplicações de até 1 mil reais corresponderam a 55% das operações.
O valor médio por operação foi de 12.083,06 reais. Além do tamanho das compras, o prazo dos títulos também revela uma preferência. As vendas de títulos com até cinco anos somaram 62,6% do total, enquanto os papéis com prazo entre cinco e dez anos ficaram com 19,1%. Já os títulos com mais de dez anos responderam por 18,3% das vendas.
O balanço completo do Tesouro Direto está disponível na página do Tesouro Transparente. A estrutura do programa foi criada em janeiro de 2002 com o objetivo de popularizar a aplicação, permitindo que pessoas físicas adquiram títulos públicos diretamente do Tesouro Nacional pela internet, sem intermediação de agentes financeiros.
Na prática, o aplicador paga uma taxa para a B3, descontada nas movimentações dos títulos. A venda de títulos é uma das formas de o governo captar recursos para pagar dívidas e cumprir compromissos. Em contrapartida, o Tesouro Nacional devolve o valor com um adicional que pode variar conforme a Selic, índices de inflação, câmbio ou uma taxa definida antecipadamente no caso dos papéis pré-fixados.












