Brasília (DF) – O governo federal deu um passo estratégico para diversificar seus parceiros comerciais nesta quinta-feira (27), ao oficializar um memorando de entendimento com a Índia. A parceria, firmada entre a ApexBrasil e a Confederação das Indústrias Indianas, tem como foco central a aproximação entre empresas dos dois países, o incentivo à internacionalização de negócios de pequeno e médio porte e o estímulo a novos investimentos, pavimentando um caminho para que o comércio bilateral atinja a marca de US$ 20 bilhões até o final da década.
Embora o documento não imponha obrigações vinculantes, ele estabelece uma base institucional importante para o compartilhamento de boas práticas e a organização de feiras de negócios. A relevância desse movimento ganha contornos específicos quando observamos o desempenho recente: no último ano, as exportações brasileiras para o país asiático atingiram quase US$ 7 bilhões, o patamar mais alto das últimas duas décadas. Somadas às importações, que superaram US$ 8,4 bilhões, a relação comercial apresentou um crescimento expressivo de 82% nos anos recentes.
Para o ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Márcio Elias Rosa, essa aproximação faz parte de uma diretriz mais ampla do governo em direção à expansão de mercados. O planejamento inclui o desejo de ampliar o acordo de preferências tarifárias vigente entre o Mercosul e a Índia, que hoje abrange 450 linhas de produtos. Além disso, a ApexBrasil mapeou 378 oportunidades concretas para itens brasileiros, com foco em setores vitais como bioenergia, fertilizantes, dispositivos médicos, indústria farmacêutica e o mercado de minerais críticos.
O fortalecimento da aliança com Nova Delhi acontece em um momento de tensão no cenário externo. Enquanto busca novos horizontes, o Brasil se prepara para retomar o diálogo diplomático com os Estados Unidos na próxima segunda-feira (31). O ministro Márcio Elias Rosa e o chanceler Mauro Vieira participarão de uma conferência virtual com Jamieson Greer, representante de Comércio dos Estados Unidos, na primeira conversa oficial desde a imposição de sobretaxas aos produtos brasileiros.
Segundo o governo brasileiro, a porta para essas negociações foi aberta após uma conversa recente entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o presidente Donald Trump. A expectativa é discutir temas como a aplicação da Lei de Reciprocidade e a revisão de listas de exceções tarifárias. Apesar da complexidade do diálogo, a equipe ministerial adota um tom de cautela otimista, reforçando que o país não pretende realizar concessões unilaterais que prejudiquem a economia nacional ou os setores protegidos pelo programa Brasil Soberano.
A estratégia, portanto, divide-se entre a contenção de danos causados por medidas protecionistas norte-americanas e a aposta firme em novos mercados. Ao priorizar a Índia, o Brasil tenta não apenas reduzir a dependência de destinos tradicionais para o seu agronegócio e indústria, mas também garantir que a cooperação internacional em áreas como a exploração de minerais críticos venha acompanhada de ganhos reais em tecnologia nacional.












