Colômbia, Colômbia – Cerca de 41 milhões de colombianos estão convocados às urnas neste domingo (21) para decidir o rumo do país nos próximos anos. A nação de 53 milhões de habitantes — a segunda mais populosa da América do Sul, superada apenas pelo Brasil — vive um momento de clara polarização, espelhando os embates ideológicos que marcaram a região recentemente.
O foco principal do debate é a segurança pública. O país carrega o peso de mais de cinco décadas de conflitos armados, período que contabiliza mais de 450 mil vidas perdidas. Embora os registros de roubos e homicídios tenham apresentado queda nas principais metrópoles durante a gestão do atual presidente Gustavo Petro, a realidade no interior ainda é crítica: um quarto dos municípios colombianos permanece sob o domínio de facções armadas.
A disputa está centrada em dois nomes com visões de mundo praticamente opostas. De um lado, Abelardo De La Espriella, representante da extrema-direita que terminou o primeiro turno, em maio, na liderança, com 43,74% dos votos — uma vantagem de quase três pontos percentuais sobre seu rival. O advogado de 47 anos, que se posiciona como um nome externo à política tradicional por nunca ter ocupado cargos públicos, ganhou holofotes ao declarar admiração pelo presidente argentino Javier Milei.
A plataforma de De La Espriella é clara: ele propõe uma postura militar firme contra o narcotráfico e os grupos armados. Além disso, busca estreitar laços diplomáticos com Israel e com a Casa Branca. Não é por acaso que recebeu o apoio público de Donald Trump. O candidato promete que, se eleito, a Colômbia reorientará sua política externa para um alinhamento mais agressivo com Washington.
No campo oposto está Iván Cepeda, filósofo e senador em seu terceiro mandato. Aos 63 anos, ele representa a esquerda e traz consigo uma trajetória marcada pela defesa dos direitos humanos. Cepeda é filho de Manuel Vargas, ex-senador assassinado em 1994, o que dá um peso pessoal à sua bandeira de pacificação. Sua estratégia de campanha aposta na manutenção das reformas sociais, como as mudanças recentes nas legislações trabalhista e previdenciária, além de priorizar o desmantelamento das organizações armadas por meio de negociações e acordos de paz.
O cenário econômico, que também pauta a escolha dos votantes, tem mostrado estabilidade, com indicadores de crescimento salarial. No entanto, o eleitorado colombiano terá que sopesar esses números frente ao desafio crônico da violência estrutural.
O destino da Colômbia repousa, agora, no resultado que será apurado após o encerramento da votação. De um lado, a promessa de uma ofensiva militar e o alinhamento com a direita global; de outro, o projeto de continuidade de reformas sociais e processos de paz dialogados. A partir desta noite, saberemos qual dessas vertentes guiará a próxima administração em Bogotá.








