Venda Nova do Imigrante (ES) – Com a expansão da Copa do Mundo para 48 seleções, os colecionadores brasileiros enfrentam o desafio de preencher o maior álbum da história da Panini, lançado em maio. Para dar conta das mais de 980 figurinhas necessárias para completar o livro ilustrado, a estratégia de mercado virou sobrevivência financeira. Quem preferir agir sozinho, comprando apenas pacotinhos nas bancas ao custo de R$ 7 por sete unidades, terá de desembolsar mais de R$ 7,3 mil. No entanto, o tradicional intercâmbio de repetidas no formato “um por um” derruba esse gasto em até 80%, reduzindo a brincadeira para uma faixa entre R$ 1.200 e R$ 1.700.
Em um cenário matemático ideal — sem que nenhum cromo se repita —, o custo mínimo de partida seria de R$ 1.004,90, somando a compra do álbum brochura por R$ 24,90 e 140 pacotes, que totalizam R$ 980. Como a distribuição aleatória torna essa perfeição impossível, a busca pelas figurinhas raras virou uma caçada à parte.
Febre de raridades inflaciona pontos de encontro
Além da coleção básica, o álbum traz 68 cromos especiais da série Legends. Divididos em categorias de raridade — bordeaux, bronze, prata e dourada —, esses itens são disputados ativamente. Conseguir a versão de ouro de atletas como Lionel Messi, Cristiano Ronaldo, Kylian Mbappé, Lamine Yamal ou do brasileiro Vinicius Júnior exige persistência estatística: a chance de encontrar uma é de apenas uma a cada 1.900 pacotes. Na internet, essas figurinhas douradas já são comercializadas por valores que superam os R$ 500, transformando pontos de troca pacíficos em ambientes de forte negociação monetária. Guilherme Ferreira, estudante de engenharia da UFF, relata que sobrou apenas o público mais obstinado nesses locais, movimentando quantias expressivas de dinheiro pelas peças mais difíceis.
Descompasso na escalação oficial e o valor da memória
Como a produção começou meses antes da definição oficial das delegações, o álbum acabou registrando um retrato defasado do momento. Rodrygo, Éder Militão e Estevão ganharam espaço nas páginas, mas acabaram cortados dos planos do técnico Carlo Ancelotti devido a problemas físicos. Por outro lado, o atacante Neymar Júnior ficou de fora da primeira tiragem impressa. Para Guilherme, a ausência de Neymar faz sentido pelas incertezas de sua recuperação, mas a inclusão de quem já estava lesionado há muito tempo foi um erro operacional da editora.
Apesar do peso no bolso, a atividade mantém o apelo afetivo. O engenheiro Lucas Antonio Pinheiro e sua noiva, Paula, decidiram preencher o álbum juntos e já investiram cerca de R$ 800 para atingir a metade do objetivo. Para eles, que vivem o primeiro mundial como casal enquanto a bola se prepara para rolar nos Estados Unidos, Canadá e México, os encontros de troca entre diferentes gerações representam um patrimônio emocional que supera o valor das transações financeiras.












