Venda Nova do Imigrante (ES) – O mercado de energia amanheceu nesta quinta-feira (18) sob forte pressão vendedora. Os contratos de petróleo despencaram mais de 1%, atingindo a cotação mais baixa desde o início das hostilidades contra o Irã. O movimento é uma resposta direta à aproximação diplomática entre os Estados Unidos e o governo iraniano, que desenham um caminho para encerrar o conflito e suspender sanções econômicas que sufocavam a produção local.
No início da manhã, o barril do tipo Brent recuava US$ 1, uma queda de 1,37%, fixando-se em US$ 78,45. O cenário era ainda mais acentuado para o West Texas Intermediate (WTI), que perdia 2% de seu valor, sendo negociado a US$ 75,18. Para o Brent, o preço marca o fundo do poço desde o pregão de 2 de março, logo após a primeira rodada de ataques de Israel e dos EUA. Já para o petróleo WTI, é necessário retroceder até 4 de março para encontrar números tão baixos.
A percepção entre os investidores é de que o fluxo de barris iranianos pode inundar o mercado muito mais rápido do que as projeções iniciais previam. O gatilho para essa mudança de rota foi a assinatura de um memorando de entendimento entre as partes. O texto, que contém 14 pontos, estabelece uma janela de negociação de 60 dias e garante a livre passagem de navios pelo Estreito de Ormuz, artéria vital para o comércio global de combustíveis. A expectativa é que a circulação na região retome sua capacidade total em apenas um mês.
O pacto, embora seja um alívio para a economia, não toca em temas espinhosos como o desenvolvimento nuclear iraniano. Em troca da trégua e da desobstrução das rotas marítimas, os EUA e seus aliados se comprometeram a estruturar um aporte financeiro de US$ 300 bilhões destinado à reconstrução do Irã.
Apesar da euforia imediata nos pregões, analistas mantêm a cautela sobre uma derrocada prolongada dos preços. A demanda global por energia continua firme e a reposição de estoques pode atuar como um amortecedor para as cotações. O Goldman Sachs projeta um retorno gradual, estimando que as exportações via Golfo alcancem patamares pré-guerra até o fechamento de julho, com a capacidade produtiva totalmente restaurada apenas em outubro.
Para o banco de investimentos, o objetivo de normalidade exige um salto expressivo no volume diário que atravessa o Estreito de Ormuz. O cálculo indica que seriam necessários 13 milhões de barris diários adicionais para saltar da movimentação atual para os patamares de normalidade registrados antes das tensões geopolíticas explodirem.











