Brasília (DF) – O destino financeiro do Banco de Brasília ganhou um novo capítulo na noite desta terça-feira, 9 de junho. A Câmara Legislativa do Distrito Federal deu o sinal verde para que o governo local contrate um empréstimo de R$ 6,6 bilhões junto ao Fundo Garantidor de Crédito (FGC). A manobra é a tentativa desesperada de sanar o buraco aberto por operações de risco realizadas entre 2024 e 2025 com o Banco Master, instituição ligada ao banqueiro Daniel Vorcaro.
A votação, que ocorreu em regime de urgência, refletiu a divisão política na casa: 11 votos a favor, nove contrários, uma abstenção e três ausências. O projeto de lei 2363/2026, enviado pelo Executivo, valida acordos previamente firmados com a União e o Banco Central, que já contavam com a homologação do Supremo Tribunal Federal.
Dúvidas sobre o tamanho real do prejuízo
Nos bastidores de Brasília, a celeridade do processo levanta sobrancelhas. Críticos apontam que o BRB sequer apresentou o balanço financeiro de 2025, documento que deveria ser público desde o final de março. O senador Renan Calheiros, à frente da Comissão de Assuntos Econômicos, questionou abertamente como o STF pôde validar um socorro sem que a real extensão da ruína fosse revelada. Segundo dados trazidos pelo presidente da instituição, Nelson Antônio de Souza, o rombo total pode chegar a R$ 8,8 bilhões. A auditoria identificou que, de R$ 30 bilhões em títulos adquiridos do Banco Master, R$ 2,6 bilhões simplesmente não possuem lastro, com outros R$ 6,2 bilhões sob risco iminente de perda.
A conta que sobra para o contribuinte
A fatura desse resgate será paga pelo Distrito Federal através de um aperto fiscal severo. As garantias exigidas pelo FGC incluem o comprometimento de receitas futuras provenientes dos Fundos de Participação dos Estados e dos Municípios. Na prática, o governo distrital terá as mãos atadas, o que deve inviabilizar novos concursos públicos e reajustes salariais para servidores nos próximos anos.
Entidades de classe, como o Sindicato dos Professores (Sinpro), já alertam para os efeitos colaterais. Para Márcia Gilda, diretora da entidade, o modelo de socorro não apenas entrega o controle a interesses privados, mas também ameaça a continuidade de serviços essenciais como saúde e educação, ao sugar recursos que seriam destinados à população.
A engenharia financeira
Além do empréstimo principal, o governo aposta na securitização da dívida ativa para angariar outros R$ 2,2 bilhões. O plano envolve antecipar receitas ao vender créditos tributários com descontos, uma operação estruturada com o auxílio do BTG Pactual. Parte desse montante, cerca de R$ 1,17 bilhão, já teria sido injetada nos cofres do banco na primeira etapa da operação, realizada em 25 de maio. Resta saber se o socorro será suficiente para blindar o BRB ou se novos buracos surgirão à medida que as próximas etapas da auditoria forem expostas ao público.











