Brasília (DF) – O Palácio do Planalto serviu de cenário, nesta quarta-feira (10), para uma rodada de anúncios que busca blindar os biomas brasileiros contra os extremos climáticos. Em um movimento que marca a celebração do Dia Mundial do Meio Ambiente, o governo federal colocou em prática uma estratégia de proteção que combina o aumento de áreas preservadas com a injeção de recursos para o combate ao fogo.
O centro do anúncio envolveu a assinatura de decretos que tiram do papel novas unidades de conservação, como o Parque Nacional do Tanaru, em Rondônia, e a Área de Proteção Ambiental do Paleocanal do Rio Tocantins, no Pará. O plano não parou na criação de reservas inéditas; houve também a ampliação territorial dos parques nacionais da Serra das Confusões e de Sete Cidades, ambos localizados no Piauí. Na prática, o governo tenta fortalecer o Sistema Nacional de Unidades de Conservação com novos territórios protegidos.
Além da estrutura fundiária, o governo sancionou a Lei da Política Nacional para Recuperação da Caatinga. Outra mudança importante ocorreu nas regras do Fundo Nacional do Meio Ambiente, que terá repasses simplificados para estados e cidades com o objetivo claro de encurtar o caminho entre a verba e o combate direto às queimadas. O presidente da República justificou a pressa: a previsão de um El Niño intenso exige que o Estado saia do modo reativo para um plano de antecipação inédito.
Os números apresentados pela pasta do Meio Ambiente e Mudança do Clima dão o tom da estratégia atual. O desmatamento, ao que indicam os registros, segue em queda. Na Amazônia, o recuo atingiu 50%, enquanto o Cerrado registrou baixa de 32% e o Pantanal, uma queda de 63%. O país conseguiu, em 2025, o feito inédito de manter a destruição da floresta abaixo de 1 milhão de hectares, fechando o período com 984,7 mil hectares atingidos.
A reconstrução das capacidades operacionais do Estado foi o mote para a liberação de R$ 2 bilhões, destinados especificamente às frentes de trabalho do Ibama e do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio). Paralelamente, o BNDES entrou na agenda com R$ 834 milhões do Fundo Clima, voltados para o financiamento de empresas e ONGs que atuam na restauração de vegetação nativa. A diretora socioambiental do banco, Tereza Campello, projeta que esse aporte inicial tenha um efeito multiplicador, atraindo capital privado para movimentar um volume de até R$ 3 bilhões em reflorestamento.
A mensagem política que o governo tenta consolidar é a de que a pauta ambiental deixou de ser periférica para ocupar o centro das decisões nacionais. Após um período de desestruturação, a aposta agora é que essa governança ambiental recupere a credibilidade do Brasil no cenário internacional, transformando a preservação não apenas em um dever ético, mas em um ativo central para as políticas públicas do país.












