Évian-les-Bains, França – O presidente Luiz Inácio Lula da Silva prepara-se para cruzar o Atlântico com destino a Évian-les-Bains, na França. Ele participará da Cúpula do G7, que reúne as nações mais industrializadas do planeta: Alemanha, Canadá, Estados Unidos, França, Itália, Japão e Reino Unido, além da representação institucional da União Europeia. O encontro, agendado para ocorrer entre 15 e 17 de junho, contará ainda com a presença de líderes de nações como Índia, Coreia do Sul, Quênia e Egito.
A agenda brasileira no fórum, confirmada pela diplomacia nacional, foca em três momentos centrais. No dia 16, Lula discursará em uma sessão dedicada a parcerias internacionais para o desenvolvimento. O tom da fala será de cobrança pela ampliação da Assistência Oficial ao Desenvolvimento (AOD). Trata-se de um mecanismo de repasse financeiro que, nos últimos anos, sofreu quedas expressivas, gerando apreensão entre economias emergentes que dependem desses recursos para assegurar o bem-estar social.
No dia seguinte, 17 de junho, o presidente volta a subir ao púlpito para debater o crescimento econômico equilibrado. É neste cenário que Lula pretende centrar forças na reforma da governança global, com foco direto na Organização das Nações Unidas (ONU) e na Organização Mundial do Comércio (OMC). O posicionamento de Brasília é claro: o multilateralismo enfrenta um desmonte perigoso e, para o governo brasileiro, a solução não reside na destruição dessas entidades, mas na sua reconstrução e atualização, incluindo uma reconfiguração necessária do Conselho de Segurança da ONU.
O cenário geopolítico para a viagem é marcado por tensões comerciais recentes. Washington ameaçou taxar em 25% parte das importações vindas do Brasil, após uma investigação conduzida pelo Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR). O governo estadunidense alega, entre outros pontos, que o Pix teria criado uma concorrência desleal para empresas de pagamentos digitais daquele país, como Visa, MasterCard e o sistema WhatsApp Pay.
Ainda na quarta-feira da cúpula, a delegação brasileira participa de um almoço de trabalho focado na Inteligência Artificial. O Brasil, que debate atualmente no Congresso Nacional um projeto de lei sobre o tema, pretende compartilhar sua visão sobre os riscos e as oportunidades da tecnologia. O texto em discussão no Legislativo brasileiro busca garantir um ambiente ético, transparente e livre de preconceitos discriminatórios, definindo limites para sistemas classificados como de alto risco.
Embora o Brasil não faça parte do seleto grupo de membros plenos e, portanto, não participe diretamente da redação final das declarações, o país deve influenciar as discussões em pautas estratégicas. A lista de temas da presidência francesa inclui o combate ao narcotráfico, a luta contra o câncer e a segurança digital de menores — área em que o Brasil busca destacar a implementação do ECA Digital.
Outro ponto de interesse direto para a economia brasileira envolve a cadeia de minerais críticos. O país detém a segunda maior reserva mundial de terras raras. A posição do Brasil nas mesas de negociação francesa será firme: o foco não deve ser apenas a extração, mas a agregação de valor local, garantindo que o desenvolvimento econômico aconteça de forma sustentável e inclusiva na origem dos materiais.












