O próximo mês de debates comerciais entre Brasil e Estados Unidos abre perspectivas otimistas para resolver os conflitos tarifários que afetam as relações bilaterais. Especialistas consultados apontam que, apesar da imprevisibilidade da política externa americana, o encontro recente entre os presidentes Lula e Trump criou condições favoráveis para um desfecho positivo. Luiz Carlos Prado, professor de Economia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), destaca que as negociações podem render resultados “razoáveis”, especialmente porque o superávit comercial dos Estados Unidos com o Brasil torna os americanos menos dispostos a sofrer retaliações.
Para Prado, a vitória diplomática do governo brasileiro está justamente em ter colocado os dois países em uma mesa de negociação, consolidando uma “política muito bem construída“. Ele aponta que as comunidades empresariais tanto no Brasil quanto nos Estados Unidos exercem pressão para que se chegue a um acordo, o que facilita o caminho para uma solução. O professor enfatiza que não existe qualquer política brasileira que prejudique os interesses americanos, invertendo a lógica do conflito: os ganhos comerciais favorecem Washington, não Brasília.
Cesar Bergo, economista da Universidade de Brasília, também vê com otimismo o estabelecimento de uma “trégua” entre as nações, embora reconheça que nem todos os pleitos brasileiros serão atendidos. Ele acrescenta que durante os 30 dias de negociações, o Brasil precisará revisar as tarifas de produtos específicos, como metanol e açúcar, acusados de “injustos” pelos americanos sob a seção 301 da Lei de Comércio dos EUA. A abertura para diálogo, portanto, é vista como estratégia para evitar retaliações mais severas.
O encontro de três horas entre Lula e Trump, realizado em Washington na quinta-feira (7), abordou além das questões tarifárias, temas como vistos de cidadãos, terras raras e cooperação no combate ao crime organizado e narcotráfico, demonstrando que a agenda comercial integra-se a questões geopolíticas mais amplas que reforçam a importância de um entendimento mútuo.









