Os Estados Unidos intensificaram o cerco econômico a Cuba ao sancionar a Gaesa, holding estatal administrada pelas Forças Armadas cubanas, e a mineradora Moa Nickel, joint venture entre a Companhia Geral de Níquel de Cuba e a canadense Sherritt International. A decisão da Casa Branca provocou o anúncio imediato da Sherritt sobre a suspensão de suas atividades na ilha caribenha e o encerramento dos contratos com parceiros cubanos.
A companhia canadense comunicou que as restrições americanas “alteram substancialmente a capacidade da empresa de operar no curso normal dos negócios”, especialmente nas operações da joint venture. Além da Gaesa, a Casa Branca também sancionou Ania Guillermina Lastres Morera, general de brigada e presidenta do conglomerado desde 2022. Segundo a historiadora cubana Caridade Massón Sena, professora visitante na Universidade Federal de Uberlândia, essa medida prejudicará severamente o setor de níquel, uma das poucas indústrias ainda operacionais na ilha. “Era uma entrada importante de divisas. Agora, empresários com negócios em Cuba podem se assustar e deixar o país”, alertou a especialista.
A crise se aprofunda com bloqueios múltiplos
As novas sanções se somam a um bloqueio naval contra a Venezuela, que impede a venda de petróleo a Cuba a partir do final de 2025, e às ameaças de tarifas contra nações que vendam combustível a Havana, iniciadas em janeiro. A consequência foi dramática: a ilha ficou três meses sem receber sequer uma gota de petróleo. Esse bloqueio energético multiplicou os apagões, elevou preços de produtos essenciais, reduziu o transporte público e diminuiu a distribuição de alimentos subsidiados pelo Estado.
Para moradores de Havana ouvidos pela Agência Brasil, este é o pior momento enfrentado pelo país. A historiadora cubana critica a permissividade internacional com a interferência americana, afirmando que o objetivo declarado é “afogar os cidadãos cubanos pela fome e pela necessidade”. Ela questiona ainda as acusações americanas de que Cuba representa ameaça, considerando-as “totalmente falsas” e interpretando-as como distração dos fracassos dos EUA e de Israel no Irã.
Defesas e acusações cruzadas
O secretário de Estado americano, Marco Rubio, justificou as medidas como proteção à segurança nacional, afirmando que as sanções integram “campanha abrangente do governo Trump para enfrentar ameaças representadas pelo regime comunista de Cuba”. A Casa Branca alega que a ilha abriga “instalações adversárias estrangeiras focadas em explorar informações sensíveis” dos EUA.
Em resposta, o presidente Miguel Díaz-Canel denunciou a medida como “agressão unilateral contra uma nação cuja única ambição é viver em paz”, qualificando-a como interferência do imperialismo americano. As sanções originam-se de uma Ordem Executiva assinada por Trump em 1º de maio, que autoriza novas restrições econômicas à ilha. Os EUA acusam a Gaesa de corrupção, mas especialistas observam que nenhuma prova foi apresentada, questionando se tal alegação não seria pretexto para pressionar o regime cubano.










