Cidade do Vaticano, Vaticano – Pela primeira vez na história, uma mulher estará à frente do imenso e influente aparato de mídia da Igreja Católica. Em uma decisão de forte simbolismo assinada na terça-feira (2), o papa Leão XIV escolheu Maria Montserrat Alvarado para comandar o Dicastério para as Comunicações do Vaticano. A mexicana, que nasceu na Cidade do México, assume a liderança de uma estrutura gigante em constante expansão, que gerencia desde o portal de notícias oficial e a rádio da Santa Sé até o tradicional jornal impresso e o escritório de imprensa oficial do clero.
A transição de comando no Vaticano
Alvarado tem data marcada para iniciar a nova função na burocracia romana: novembro deste ano. Ela herdará a cadeira hoje ocupada por Paolo Ruffini, que comanda a comunicação do microestado europeu desde 2018 e agora se prepara para a aposentadoria.
Para assumir o posto estratégico em Roma, a executiva deixa a presidência e a diretoria de operações da rede de notícias EWTN (Eternal Word Television Network), sediada nos Estados Unidos, funções que desempenhava desde o ano de 2023. O veículo que ela liderava possui uma trajetória de forte crescimento. Fundado em 1981 por uma freira chamada Madre Angélica, o canal começou de forma modesta e se transformou em um colosso global de mídia, englobando atualmente quase uma dezena de emissoras de televisão, rádio, divisão de publicações literárias e um jornal.
Divergências no horizonte católico
O perfil da EWTN traz contornos intrigantes para a nova fase da comunicação vaticana. O conglomerado é amplamente conhecido por sua proximidade com a ala católica mais conservadora no território norte-americano. O ex-presidente Donald Trump, por exemplo, deu entrevistas em diversas ocasiões para os canais do grupo, e um dos apresentadores de destaque da empresa trabalha em paralelo como colaborador da emissora Fox News.
Essa linha editorial já causou atritos ruidosos no passado recente. A emissora manteve uma postura frequentemente crítica em relação à gestão do falecido papa Francisco, que chegou a manifestar descontentamento público com o tom duro adotado pela rede contra ele. Agora, a executiva que estava no comando desse império midiático cruza o oceano para gerenciar a comunicação oficial da cúpula da Igreja.












