Catalão (GO) – Luiz Inácio Lula da Silva não titubeou. Diante da recente investida dos Estados Unidos, que acenaram com uma tarifa de 25% sobre produtos brasileiros, o presidente do Brasil apontou o dedo para os filhos do ex-presidente Jair Bolsonaro, acusando-os de instigar a manobra e atuar como “vendilhões da pátria”.
A fala, carregada de irritação, ecoou de Catalão, em Goiás, durante um compromisso público. No palco, a 260 quilômetros de Goiânia, a indignação do presidente se manifestou abertamente. Ele recordou um encontro com o então presidente americano, Donald Trump, em maio, onde teriam sido debatidos temas como comércio, segurança e terras raras, e havia sido estabelecido um prazo de 30 dias para negociações. A decisão tarifária, segundo ele, foi uma completa “surpresa”.
“Esses filhos do Bolsonaro conseguem ser piores do que ele”, afirmou, sem rodeios. E prosseguiu, chamando-os de “vendilhões da pátria” que teriam pedido a um país estrangeiro que se intrometesse nas decisões soberanas do Brasil. Lula sugeriu que a influência deles foi decisiva para que os EUA impusessem o chamado “tarifaço”.
Pouco depois, o senador Flávio Bolsonaro, um dos filhos do ex-presidente, veio a público para rebater a acusação. Ele negou categoricamente ter feito qualquer solicitação para que empresas brasileiras fossem taxadas ou para que se impusesse qualquer tipo de taxação a produtos do país.
No mesmo palco goiano, contudo, Lula encontrou um alento que, de certa forma, amenizou a tensão. Comemorou efusivamente a decisão da China de liberar a importação de carne brasileira, uma notícia que soava como um contraponto divino à “medida de Trump”. Para o presidente, que se declarou “um homem cristão, obediente a Deus”, essa vitória vinha como “Deus escreve certo por linhas tortas”. Ele destacou a certificação de que o Brasil está nacionalmente livre da febre aftosa, abrindo caminho para o bilionário mercado chinês.
O compromisso principal de Lula em Catalão era a inauguração da nova sede do Campus Catalão do Instituto Federal Goiano (IF Goiano). A obra, iniciada em 2018, passou por longos períodos de paralisação e somente em 2023 teve sua retomada definitiva, integrada agora ao Novo PAC. O campus atende hoje 2.855 alunos e tem planos de expansão, com a construção de um restaurante estudantil e um laboratório de mineração já em andamento.












