Washington, Estados Unidos – O governo dos Estados Unidos colocou o Brasil sob fogo cruzado ao sinalizar a implementação de tarifas de 25% sobre produtos brasileiros e definir organizações como o Primeiro Comando da Capital e o Comando Vermelho sob o rótulo de grupos terroristas. A movimentação rompe o protocolo da diplomacia tradicional, utilizando mecanismos institucionais rígidos para ditar o ritmo das relações bilaterais em um período eleitoral marcado por fricções constantes.
A ofensiva comercial baseia-se em uma investigação que classifica diversas práticas brasileiras como discriminatórias. Na mira dos americanos estão desde as ordens judiciais de remoção de conteúdos em plataformas digitais — citando Meta, Google e X — até a atuação do Banco Central brasileiro, que os EUA alegam favorecer o Pix em detrimento de empresas norte-americanas. Há ainda questionamentos sobre acordos firmados com Índia e México, além de supostas vantagens artificiais dadas ao agronegócio nacional nos setores de carne bovina, milho e soja.
Para o professor de mercado financeiro da UnB, César Bergo, a manobra não possui base econômica sustentável. Ele aponta que a própria lista de isenções revela o caráter político da decisão: itens cruciais, como metais de terras raras e insumos para a indústria aeroespacial, foram poupados da sobretaxa. O objetivo seria blindar a economia americana contra a inflação, mantendo a pressão apenas sobre nichos onde o custo político é irrelevante para Washington.
A segunda frente de atrito, capitaneada pelo Departamento de Estado sob comando de Marco Rubio, altera o tabuleiro da segurança. Ao carimbar facções brasileiras como terroristas, os EUA ganham autonomia para confiscar ativos e interromper fluxos financeiros baseados em critérios internos. Leandro Carneiro, da USP, ressalta que essa mudança institucional confere às agências americanas uma agilidade maior do que o monitoramento comum realizado por órgãos de controle financeiro.
O custo imediato dessa desconfiança cai sobre o ambiente de negócios. Empresas e investidores que operam no país precisarão elevar significativamente os gastos com compliance. A necessidade de triagens exaustivas para evitar conexões com atividades ilícitas deve encarecer o crédito e complicar a vida de bancos menores e fintechs, gerando um efeito colateral que pode afastar o capital externo no longo prazo.
Ainda é incerto o impacto real desse endurecimento, já que o uso desse selo contra grupos criminosos é uma estratégia vista anteriormente no México, na Colômbia e na Venezuela. Enquanto o Brasil tenta manter a diplomacia ativa, a mensagem de Washington soa como uma advertência sobre novas regras de jogo que ignoram o livre comércio tradicional em favor de uma imposição geopolítica.












