Rio de Janeiro (RJ) – Na última terça-feira, dia 2, o Rio de Janeiro foi palco de uma mudança significativa para o setor cultural brasileiro. A Fundação Biblioteca Nacional abriu suas portas para o lançamento da BiblioBR, uma plataforma digital desenvolvida pelo Ministério da Cultura para consolidar o mapeamento e a gestão técnica das bibliotecas públicas e comunitárias do país. A intenção é clara: substituir o mapeamento descentralizado por um banco de dados unificado via sistema GovBr, permitindo um raio-x preciso sobre acervos, volume de leitores e infraestrutura física desses locais.
Conexão entre estados e União
O funcionamento da BiblioBR é parte integrante de uma estratégia para fortalecer a articulação federativa. Segundo Nadja Cézar, coordenadora-geral de Leitura e Bibliotecas do Ministério, a prioridade é que a integração não seja apenas tecnológica, mas que garanta o caráter permanente das ações de incentivo à leitura. Inicialmente, o sistema processará bibliotecas públicas e comunitárias, sendo que as unidades associadas serão incluídas em um segundo momento. Para os gestores, o preenchimento dos dados é a porta de entrada para que esses espaços possam pleitear recursos em futuras chamadas públicas.
O pioneirismo coube à Biblioteca Nacional, a primeira a integrar o banco de dados. Paralelamente ao lançamento da ferramenta, foi formalizado um Acordo de Cooperação Federativa entre o governo federal e o Rio de Janeiro. O pacto tem vigência prevista de trinta anos e estabelece diretrizes conjuntas para modernização, capacitação profissional e gestão, sob a égide do Plano Nacional do Livro e Leitura instituído pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva e pela ministra Margareth Menezes.
Bibliotecas como espaços de convivência
A discussão no lançamento tocou em um ponto nevrálgico: a transformação da biblioteca em um centro vivo. Danielle Barros, secretária estadual de Cultura e Economia Criativa fluminense, defendeu que o acervo físico deve compartilhar espaço com o acolhimento. A ideia é transformar salas de leitura em palcos de dança e teatro, expandindo o conceito do que se espera de um equipamento cultural.
Já o presidente da Biblioteca Nacional, Marco Lucchesi, reforçou a projeção global da instituição. Com uma estimativa de 100 milhões de acessos ao acervo neste ano e parcerias que vão do Vaticano a comunidades indígenas e quilombolas — muitas vezes contando com apoio logístico da Marinha e Aeronáutica —, Lucchesi definiu a entidade como um “território ubíquo”.
O Sistema Nacional de Bibliotecas Públicas (SNBP), que agora ganha este fôlego digital, recupera seu propósito original de articulação nacional, articulado tecnicamente pela Coordenação do Sistema Nacional de Bibliotecas Públicas e pela Subsecretaria de Tecnologia da Informação e Inovação do Ministério.













