Rio de Janeiro (RJ) – O Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) oficializou o tombamento provisório do prédio que abrigou o DOI-Codi, na Tijuca, zona norte do Rio de Janeiro. A decisão atende a um pleito antigo do Ministério Público Federal (MPF), que desde 2013, em parceria com a Comissão Estadual da Verdade, busca proteger o local que serviu como o principal polo de repressão e tortura durante o regime militar.
Localizado nos fundos do 1º Batalhão de Polícia do Exército, na Rua Barão de Mesquita, o imóvel foi palco de violações sistemáticas entre as décadas de 1960 e 1980. Investigações apontam que a estrutura foi adaptada para o crime: portas de acesso clandestino e celas isoladas, como a famosa “Maracanã”, foram criadas para operar à margem da lei. Relatos de sobreviventes descrevem um cenário de horror, com uso recorrente de choques elétricos, afogamentos e agressões que deixaram marcas físicas e psicológicas permanentes.
Para o MPF, o tombamento é uma peça central na justiça de transição. Ao impedir que o prédio seja demolido ou descaracterizado, o Estado reconhece a importância de preservar o registro material do autoritarismo. A intenção é transformar o espaço em um local de memória e reflexão, cumprindo uma dívida histórica com as vítimas e seus familiares. Em 11 de janeiro de 2025, um ato no local homenageou Rubens Paiva e outros 52 mortos ou desaparecidos, reforçando que a preservação do prédio serve, antes de tudo, como uma advertência contra o esquecimento.








