Rio de Janeiro (RJ) – O mercado de trabalho brasileiro mantém um abismo racial persistente. Dados da Pnad Contínua, divulgados nesta quinta-feira (14) pelo IBGE, mostram que a taxa de desemprego entre pessoas pretas atingiu 7,6% no primeiro trimestre de 2026. O índice supera a média nacional de 6,1% e é 55% maior do que o registrado entre a população branca, que ficou em 4,9%.
Essa disparidade não é um fenômeno isolado, mas uma tendência que se aprofunda. No último trimestre de 2025, a diferença era de 52,5%, e no mesmo período do ano passado, de 50%. Para o analista do IBGE, William Kratochwill, estamos diante de um gargalo estrutural. Ele pondera que, embora a cor da pele seja um marcador central, o nível de escolaridade e a localização geográfica também moldam essas estatísticas, exigindo estudos mais complexos para identificar as raízes do problema.
Informalidade e desigualdade de gênero
A exclusão não se limita às vagas com carteira assinada. O levantamento revela que a informalidade — que engloba trabalhadores sem registro, autônomos e empregadores sem CNPJ — atinge 40,8% dos pretos e 41,6% dos pardos, enquanto entre os brancos o índice é de 32,2%. A falta de garantias como 13º salário e seguro-desemprego reflete uma vulnerabilidade que acompanha a trajetória de grande parte da força de trabalho negra no país.
O recorte de gênero também expõe contradições. Mulheres enfrentam uma desocupação 43,1% maior que a dos homens, com taxa de 7,3% contra 5,1% deles. Por outro lado, a informalidade pesa mais sobre o público masculino, atingindo 38,9%. Enquanto o mercado oscila, os jovens de 14 a 17 anos sofrem com o maior índice de desemprego (25,1%), muitas vezes aceitando postos temporários apenas para tentar uma primeira inserção profissional.











