Brasília (DF) – A Caixa Econômica Federal encerrou o primeiro trimestre de 2026 com um lucro líquido recorrente de R$ 3,5 bilhões, uma queda expressiva de 34,4% na comparação com o mesmo período do ano passado. O balanço, divulgado nesta quinta-feira (14), revela que o resultado foi fortemente pressionado pelo aumento das provisões para devedores duvidosos, que mais que dobraram em doze meses, atingindo R$ 6,5 bilhões.
Essa mudança contábil não é mera burocracia. O banco precisou se adequar às novas exigências do Banco Central, que agora obriga as instituições a provisionarem perdas esperadas nas operações de crédito — e não apenas aquelas que já se concretizaram como inadimplência. Na prática, a Caixa reforçou seu colchão financeiro para enfrentar riscos futuros, o que reduziu o lucro final, embora o índice de inadimplência tenha ficado em 3,71%.
Expansão no crédito imobiliário
Mesmo com o ajuste nos números, a máquina de crédito do banco não parou. A carteira total cresceu 11,3% em um ano, alcançando R$ 1,41 trilhão, sustentada pela liderança absoluta no setor imobiliário, onde a Caixa detém 68% do mercado. O financiamento habitacional, carro-chefe da instituição, somou R$ 64,2 bilhões em novas contratações apenas entre janeiro e março.
Em nota, a direção da Caixa buscou tranquilizar o mercado: o aumento nas reservas não reflete uma piora na qualidade da carteira, mas sim uma transição regulatória. Enquanto o crédito para pessoas físicas e jurídicas segue avançando, o banco mantém sua estrutura robusta, com captações totais chegando a R$ 2 trilhões, reafirmando seu papel central no financiamento da economia brasileira.











