Guarapari (ES) – Quem atua por conta própria no Brasil enfrenta uma rotina que, na média, chega a 45 horas semanais. O dado, revelado pela Pnad Contínua do IBGE referente ao primeiro trimestre de 2026, coloca essa categoria em um patamar de desgaste superior ao de empregados do setor público ou da iniciativa privada, que cumprem, em média, 39,6 horas.
O fenômeno tem uma explicação lógica: a ausência de uma estrutura de delegação. Enquanto o empregador consegue distribuir tarefas e o funcionário CLT é amparado por limites legais — que geralmente barram jornadas excessivas —, o trabalhador autônomo enfrenta as próprias limitações físicas. Para William Kratochwill, analista do IBGE, a falta de alguém a quem repassar demandas obriga esses profissionais a estenderem o expediente para garantir o sustento.
Atualmente, 25,9 milhões de brasileiros se encaixam nessa categoria, o que representa um quarto da população ocupada. Esse cenário ganha contornos de urgência diante do debate nacional sobre a redução da carga horária semanal para 40 horas e o fim da escala 6×1. Com propostas em tramitação no Congresso, o país discute se o padrão de trabalho, hoje tão desigual, conseguirá finalmente se ajustar às novas demandas sociais.











