Rio de Janeiro (RJ) – O campo brasileiro projeta números otimistas para a safra de 2026. A previsão de maio indica uma produção de 350,4 milhões de toneladas de cereais, leguminosas e oleaginosas. O volume supera em 1,2%, ou 4,3 milhões de toneladas, o resultado consolidado de 2025. Na comparação direta com abril, houve um leve avanço de 0,5%, equivalente a 1,7 milhão de toneladas adicionais.
Para viabilizar essa colheita, os produtores destinaram 83,2 milhões de hectares. Embora a área total tenha crescido 2% frente ao ano passado, houve um ajuste sutil de 0,1% para baixo quando comparado aos números de abril. A tríade composta por arroz, milho e soja segue como o motor do setor, respondendo por quase 93% da produção nacional.
A soja, carro-chefe da balança comercial, atingiu novo patamar histórico com uma projeção de 174,6 milhões de toneladas — um ganho de 5,1% sobre o ano anterior. Já o milho soma 139,4 milhões de toneladas, somando a primeira e a segunda safras. Enquanto a soja avança, outras culturas enfrentam desafios. O arroz em casca, por exemplo, teve sua estimativa reduzida em 11,4% ante 2025, enquanto o trigo recuou 7,8% em meio a dificuldades climáticas e margens de rentabilidade mais apertadas na Região Sul.
Geograficamente, o Centro-Oeste mantém sua hegemonia, concentrando metade de toda a produção nacional, com 175,9 milhões de toneladas. O Mato Grosso isola-se como o maior produtor do país, detendo 31% do total de grãos, seguido por Paraná, Rio Grande do Sul, Goiás e Mato Grosso do Sul. Juntos, esses cinco estados respondem por quase 80% do que é colhido no território brasileiro.
O setor cafeeiro traz um dado de destaque: a produção estimada em 66,8 milhões de sacas de 60 kg coloca 2026 como um ano recorde na série histórica iniciada em 2002. O clima favorável no Centro-Sul impulsionou a bienalidade positiva do café arábica, enquanto o café canephora também caminha para seu maior volume já registrado. Em contrapartida, culturas como o gergelim, que agora entra oficialmente no monitoramento, e o feijão, sinalizam comportamentos distintos, com o feijão indicando oferta suficiente para suprir o consumo interno, dispensando a necessidade de importações massivas.
O cenário para o restante do ano permanece sob vigilância. Fatores como a oscilação de produtividade no milho de segunda safra e a adaptação de áreas para o sorgo, que cresceu 3,9% em produção anual, dão o tom da dinâmica agrícola. O otimismo persiste, mas o mercado segue atento às variações mensais de rendimento e ao comportamento climático nas principais regiões produtoras.













