Colatina (ES) – O norte do Espírito Santo guarda um potencial econômico e ecológico pouco explorado. É o que revela o artigo intitulado Criação racional e o desenvolvimento da apicultura no norte Capixaba, recentemente publicado na revista Delos. Assinado também pelo pesquisador Ivanildo Schmith Kuster, do Instituto Capixaba de Pesquisa, Assistência Técnica e Extensão Rural (Incaper), o material disseca os gargalos que impedem a atividade de alcançar um novo patamar.
A importância da apicultura transcende o óbvio. O mel, o pólen, a própolis e a cera formam uma base agroindustrial sólida, mas o papel silencioso desses insetos na polinização de lavouras como o café conilon e a pimenta-do-reino é o que realmente sustenta a relevância da cultura na economia local. Contudo, os números não escondem uma realidade dura: produtores locais sofrem com a queda drástica na oferta, episódios frequentes de mortalidade de enxames e o abandono puro e simples de apiários que antes eram produtivos.
Por que essa atividade, vital para a estabilidade ambiental, definha? O diagnóstico do estudo aponta para um efeito cascata de erros. Manejo inadequado, a escassez de recursos florais nativos e mudanças climáticas que viraram a rotina de ponta-cabeça são os vilões mais citados. Diante disso, o trabalho não se limitou à teoria. Em parceria com o Centro Estadual Integrado de Educação Rural (Ceier) de Boa Esperança, o projeto buscou levar técnica onde havia apenas o improviso.
O foco central foi a educação prática. Estudantes de Ciências Agrárias foram colocados dentro dos apiários, aprendendo desde o monitoramento semanal de doenças e pragas até o beneficiamento final do mel. Mais do que treinar mãos, o intuito foi criar uma base de extensão rural. Ao levarem esse conhecimento para além das salas de aula, os jovens atuam diretamente como agentes de mudança nas cidades do norte capixaba, combatendo o desinteresse pela atividade.
Publicada mensalmente e reconhecida com o estrato B2 no Qualis CAPES 2021-2024, a revista Delos utiliza esse espaço acadêmico para dar visibilidade a problemas negligenciados do desenvolvimento local sustentável. O texto reforça uma mensagem clara: a apicultura na região só terá futuro se o conhecimento científico sair da prateleira e ganhar o cotidiano de quem vive no campo. Sem essa ponte técnica, o norte capixaba continuará desperdiçando uma riqueza que, literalmente, voa diante dos olhos dos produtores.












