Confins (MG) – O relógio marcava cerca de 20h da última quarta-feira, 3 de junho, quando uma aeronave aterrissou no Aeroporto Internacional de Belo Horizonte, em Confins, Minas Gerais. A bordo, 71 brasileiros que, após enfrentarem o processo de deportação conduzido pelas autoridades norte-americanas, cruzavam novamente a fronteira nacional para um acolhimento estruturado pelo Estado.
Esta operação integra o esforço continuado do programa Aqui é Brasil. O objetivo da iniciativa, coordenada pelo Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania, vai além da simples recepção: trata-se de mitigar o impacto traumático da repatriação oferecendo estrutura imediata para quem muitas vezes volta ao país desamparado. Logo após o desembarque, os recém-chegados foram levados a um hotel preparado para receber o grupo.
A logística montada no local de apoio incluía muito mais que um teto temporário. Profissionais realizaram atendimentos de saúde, distribuíram itens básicos de higiene e prestaram auxílio psicossocial. O suporte se estende até a organização do trajeto de volta às cidades de origem de cada um desses brasileiros.
Entre os relatos colhidos pelas equipes, uma história chamou a atenção dos profissionais pelo peso simbólico do recomeço. Um dos repatriados, já em idade avançada, emocionou os presentes ao mencionar o desejo de voltar a tocar sanfona, um plano que ganha fôlego agora, em junho, com o retorno ao território de origem. A equipe do programa reforçou que episódios assim demonstram como o resgate dos vínculos afetivos e culturais é parte intrínseca da reintegração dessas pessoas à vida no país.
A composição do grupo revelou um cenário predominantemente masculino: dos 71 indivíduos, 65 são homens, quatro são mulheres e há ainda dois integrantes de um mesmo núcleo familiar. Eles agora passam por um acompanhamento especializado no Centro de Referência em Direitos Humanos para Pessoas Repatriadas e Migrantes, instalado estrategicamente dentro do próprio complexo aeroportuário.
Desde a criação do Aqui é Brasil, o governo federal já contabiliza 55 operações. O esforço já trouxe de volta mais de 4,4 mil pessoas em condições de vulnerabilidade. Apenas no primeiro semestre de 2026, o cronograma foi intenso, com sucessivas operações nos meses de janeiro, fevereiro, março, abril e maio, seguidas pelas ações de junho.
Para conferir transparência ao trabalho, um painel informativo foi disponibilizado para que a sociedade acompanhe a execução das medidas e o suporte fornecido aos repatriados. O foco permanece inalterado: garantir que, apesar da situação forçada de retorno, o cidadão receba um atendimento que preserve, antes de tudo, sua dignidade.










