São Paulo (SP) – O cenário logístico brasileiro prepara-se para uma transformação profunda. Durante um evento realizado nesta quinta-feira (11) na Bolsa de Valores de São Paulo, o Ministério dos Transportes apresentou uma estratégia agressiva para colocar os trilhos no centro da economia nacional. O objetivo central é claro: elevar a participação ferroviária além dos 10 mil quilômetros atualmente ativos, num território que soma cerca de 30 mil quilômetros de extensão.
A ofensiva passa pela oferta de 20 novos terminais de carga na Ferrovia Norte-Sul e pelo lançamento de uma carteira de oito projetos estruturantes. Entre eles, destacam-se a Ferrogrão, a Malha Oeste e o Anel Ferroviário do Sudeste, além de corredores vitais como o Fico-Fiol e o Minas-Rio. A estimativa oficial é que o conjunto de obras movimente cerca de R$ 600 bilhões em investimentos de longo prazo, com R$ 160 bilhões já projetados para as fases iniciais.
Mudança de paradigma nos trilhos
O ministro dos Transportes, George Santoro, enfatizou que o momento pede o fim da visão limitada de que ferrovias são meras obras de concreto. O governo quer tratá-las como plataformas de negócios. A lógica por trás da proposta é simples, embora complexa na execução: sem derrubar o custo logístico, a produtividade interna patina. Para viabilizar a mudança, a pasta desenhou mecanismos inéditos, incluindo garantias estatais para aportes públicos em contratos de longo prazo, reduzindo o risco para os interessados.
Um dos diferenciais competitivos da nova política é o fôlego financeiro oferecido aos investidores. O BNDES confirmou a disponibilidade de linhas com prazos de pagamento que podem chegar a quatro décadas. A medida visa equilibrar o fluxo de caixa de projetos ferroviários, conhecidos pela maturação lenta e pelo alto valor inicial de capital.
Integração como motor de crescimento
O desenho desenhado pela equipe técnica busca integrar o modal ferroviário com hidrovias, rodovias e portos, criando um sistema nacional coeso. A expectativa de crescimento nas produções agrícola e industrial justifica o senso de urgência. Durante a apresentação, o secretário nacional de Transporte Ferroviário, Leonardo Ribeiro, destacou que o banco de projetos atual bebe da experiência bem-sucedida das rodovias, adaptando matrizes de risco para o ambiente dos trilhos.
O evento, que reuniu nomes como o diretor-geral da ANTT, Guilherme Sampaio, e o presidente da Infra S.A., Jorge Bastos, serviu como um cartão de visitas para o capital privado. Com o foco voltado para a recuperação da malha existente e o suporte ao material rodante, o governo tenta convencer o mercado de que, desta vez, os projetos não ficarão apenas no papel.












