Cidade do México, México – O Estádio Banorte, lendário palco conhecido mundialmente como Azteca, retomou seu posto de protagonista na história dos Mundiais nesta quinta-feira (11). Sob um céu de 24 graus e sob o olhar de mais de 85 mil espectadores, o México iniciou as festividades da Copa do Mundo 2026. O evento marcou o primeiro passo de uma edição inédita, dividida entre três sedes, com cerimônias paralelas ocorrendo nesta sexta-feira (12) em Toronto e Los Angeles.
A narrativa visual da abertura buscou fôlego nas raízes históricas. Sobre um tapete azul-claro que ocultava o gramado, bailarinos encarnaram as heranças asteca, maia, olmeca e tolteca em torno de uma réplica colossal da taça da Fifa. A mensagem de união foi reforçada pela cantora Lila Downs, que alternou entre o inglês e o espanhol ao ecoar o lema da competição.
A atmosfera musical foi um desfile de peso da indústria latina. A banda Maná abriu os trabalhos, seguida por Danny Ocean, Belinda e os veteranos da Los Ángeles Azules. Em um carro cenográfico, J. Balvin trouxe o clima urbano, preparando o terreno para Shakira. Acompanhada pelo nigeriano Burna Boy, a artista colombiana apresentou “Dai Dai”, a música tema que busca repetir o impacto global de hinos de torneios passados. O encerramento solene coube ao encontro vocal de Andrea Bocelli e da coreana EJAE.
Dentro do campo político, o esvaziamento da tribuna de honra foi notável. A presidente Claudia Sheinbaum manteve sua promessa de ausência, um gesto simbólico em respeito aos cidadãos impossibilitados de arcar com os custos dos ingressos. Assim, coube ao presidente da Fifa, Gianni Infantino, conduzir a abertura formal ao lado da atriz Salma Hayek.
O brilho da festa contrastou com as tensões que cercam esta edição do torneio, marcada por episódios complexos como a deportação de um árbitro somali, restrições à delegação iraniana e entraves severos na concessão de vistos para turistas.
O momento de maior carga emocional surgiu logo antes da bola rolar para o duelo entre México e África do Sul. Alejandro Fernández, o “El Potrillo”, entoou o hino mexicano diante de uma multidão em êxtase, enquanto Tyla representou os sul-africanos. Com o apito inicial do brasileiro Wilton Pereira Sampaio, o futebol assumiu o comando, deixando para trás o protocolo das cerimônias para dar início à competição esportiva que, apesar das controvérsias burocráticas nas fronteiras, insiste em se vender como um ponto de encontro global.







