Rio de Janeiro (RJ) – O setor de serviços no Brasil interrompeu uma sequência negativa que durava meio ano. Em abril, o volume de atividades subiu 1,2% na comparação com março, um respiro para um mercado que vinha patinando desde o último trimestre de 2025. O dado, divulgado nesta quinta-feira (11), reflete um cenário ainda incerto, longe de indicar uma retomada definitiva de crescimento.
Para se ter uma ideia do terreno perdido, março havia terminado com uma retração de 1,1%. Se olharmos para o acumulado dos últimos 12 meses, o setor ainda mantém o fôlego com uma expansão de 2,9%. Já frente a abril de 2025, a alta foi de 1,9%. Apesar do fôlego positivo recente, os especialistas evitam otimismo exagerado: o desempenho atual apenas devolveu o setor ao patamar de encerramento do ano passado.
A análise técnica mostra que o movimento oscila sem uma direção clara. O setor opera hoje 0,3% abaixo do seu auge histórico, atingido em outubro de 2025. A variação registrada agora é a mais expressiva desde aquele período, quando os serviços avançaram 1,3%. Entre novembro de 2025 e março de 2026, o índice oscilou entre estabilidade e quedas, sem conseguir manter uma curva ascendente consistente.
Transporte aéreo na liderança
O resultado de abril foi sustentado por um desempenho positivo em todos os cinco grandes grupos pesquisados. O destaque ficou com o setor de transportes, armazenagem e correios, que detém o maior peso — 36,4% — no cálculo do índice geral. Esse grupo cresceu 0,9%, puxado quase inteiramente pelo salto de 7% no transporte aéreo de passageiros.
Há uma explicação pontual para essa decolagem: o preço das passagens. Após dois meses de encarecimento acumulado de 18,4% entre fevereiro e março de 2026, as tarifas sofreram um alívio de 14,45% no IPCA de abril. Esse barateamento devolveu os passageiros às aeronaves, compensando a retração de 0,9% observada no transporte de cargas no mesmo período.
Turismo em alta
O segmento de turismo também pegou carona nesse movimento. O índice específico do setor avançou 4,1% em abril, impulsionado pela retomada das viagens aéreas. Com esse resultado, o turismo brasileiro se posiciona 11,2% acima do volume registrado antes da pandemia de covid-19, em fevereiro de 2020. Ainda assim, está 2,2% aquém do recorde histórico alcançado em dezembro de 2024.
As demais áreas tiveram variações mais contidas, mas todas no campo positivo. Serviços prestados às famílias cresceram 1,4%, enquanto o grupo de “outros serviços” liderou em termos percentuais, com alta de 2,2%. Já os segmentos de informação, comunicação e os serviços profissionais e administrativos registraram avanços de 0,5% e 0,4%, respectivamente.
A pesquisa abrange 166 atividades em 17 unidades da federação, cobrindo um mosaico que vai de hotéis e agências de viagens a empresas de TI. Por enquanto, o dado de abril serve como um sinal de que a demanda existe, mas o setor segue operando em um equilíbrio delicado, sem uma trajetória de recuperação que se possa chamar, por ora, de tendência.












