Venda Nova do Imigrante (ES) – Uma greve nacional por tempo indeterminado começou nesta quinta-feira (10) para os funcionários da Caixa Econômica Federal. O movimento ocorre logo após a formalização da nova Convenção Coletiva de Trabalho (CCT), firmada na quarta-feira (9) entre a Federação Nacional dos Bancos (Fenaban) e as entidades sindicais. Enquanto a categoria bancária nacional garantiu a reposição integral pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC) e um ganho real de 0,6% para 2026 e 2027, os empregados da Caixa mantêm a paralisação por questões que não foram sanadas no Acordo Coletivo de Trabalho (ACT) específico da instituição.
No Banco do Brasil, a mobilização não possui alcance nacional. A paralisação é parcial e restrita às bases sindicais que recusaram a proposta apresentada. Cerca de 60 entidades rejeitaram o texto, com registros de mobilização em cidades como Brasília, Rio de Janeiro, Porto Alegre, Recife e Florianópolis. O banco ressaltou que, para o restante do país, a convenção já foi aprovada e segue em vigência até agosto de 2028, abrangendo mais de 400 mil trabalhadores em 171 instituições financeiras.
O foco do descontentamento na Caixa, onde mais de 90% das bases votaram contra a proposta inicial, recai sobre o plano de saúde, o Saúde Caixa, e exigências debatidas desde junho. Os representantes dos trabalhadores também pressionam por melhorias na aplicação da Norma Regulamentadora 1 (NR-1), que trata da segurança e saúde ocupacional, além do fim de metas consideradas abusivas e da busca por ambientes corporativos menos desgastantes. Uma nova rodada de negociações foi agendada para esta quinta-feira entre a direção da empresa e os sindicatos.
A Caixa declarou, por meio de nota oficial, que mantém o canal de diálogo aberto para construir um consenso que atenda às demandas dos funcionários. Em contrapartida, as entidades sindicais orientaram a manutenção do braço cruzado até que qualquer avanço nas negociações seja submetido novamente à aprovação em assembleias. O Banco do Brasil, também em nota, afirmou que a proposta aprovada em diversas regiões do país foi resultado de várias rodadas de negociação conduzidas ao longo dos meses.
A convenção recém-assinada, que rege a categoria bancária, contempla não apenas os ajustes salariais e de benefícios como vale-refeição e Participação nos Lucros e Resultados (PLR), mas também tópicos sobre saúde mental, combate ao assédio, direito à desconexão e limites ao monitoramento digital dos funcionários. Também foi incluído no acordo um programa de requalificação profissional e diretrizes sobre indenizações em casos de fechamento de agências.
Para minimizar os transtornos aos correntistas durante a paralisação, tanto a Caixa quanto o Banco do Brasil recomendam o uso exclusivo dos canais digitais. Aplicativos oficiais, internet banking e terminais de autoatendimento permanecem como as principais vias para movimentações financeiras. A orientação das instituições é de que os atendimentos presenciais que dependam da presença física dos bancários podem sofrer interrupções, mas serviços essenciais e pagamentos de benefícios devem seguir o fluxo normal pelos sistemas eletrônicos e redes de correspondentes bancários.











