Brasília (DF) – O desenvolvimento econômico do Norte brasileiro passa, na visão do senador Lucas Barreto (PSD-AP), pela abertura de vastas áreas hoje protegidas pela legislação ambiental. Em discurso realizado nesta terça-feira (16), o parlamentar defendeu abertamente a aprovação do PL 3.101/2022, de sua autoria, que prevê a extinção da Reserva Nacional do Cobre e Associados, a Renca. A área abrange um território estratégico que se estende entre o Amapá e o Pará.
Para o senador, o solo amazônico esconde um potencial que o país negligencia há décadas. Ele aponta a existência de jazidas de titânio, cobre, fósforo e terras raras como motores capazes de alterar a realidade econômica local. O argumento central é a redução da dependência externa: o Brasil, defende Barreto, precisa de autonomia para produzir seus próprios insumos industriais, em vez de recorrer sistematicamente à importação.
Os números mencionados pelo parlamentar são grandiosos. Segundo suas estimativas, o valor das riquezas minerais represadas na região ultrapassa a casa de US$ 1 trilhão. Ele define a situação atual como um paradoxo: a Amazônia, dotada de recursos valiosos, permanece marcada por índices de pobreza e estagnação que contrastam diretamente com a fortuna enterrada sob a floresta. A restrição de uso desses bens, para o autor da proposta, seria a causa direta de tanta privação.
A estratégia, porém, não se limitaria à extração bruta. Barreto sustenta que a atividade mineradora precisa estar atrelada a uma cadeia de valor mais sofisticada. Em sua visão, não se deve apenas retirar o minério do solo, mas sim investir pesado em pesquisa, ciência e tecnologia para beneficiar a produção ali mesmo.
A transformação social, segundo o senador, depende de garantir que a riqueza mineral se traduza efetivamente em geração de postos de trabalho e qualidade de vida para quem reside na região. O desafio é conciliar a exploração desses recursos com uma política que, segundo ele, foque na inovação e na promoção de bem-estar para as populações locais. A defesa de Barreto coloca em pauta o embate constante entre a preservação de grandes reservas naturais e a urgência de crescimento econômico que pauta a agenda política da região.













