Brasília (DF) – O destino de Henrique e Felipe Vorcaro segue ligado ao encarceramento. Em julgamento realizado na terça-feira (16), a Segunda Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) confirmou a validade das prisões preventivas impostas ao pai e ao primo do banqueiro Daniel Vorcaro. A decisão reforça a manutenção do cerco jurídico sobre os suspeitos de participarem de uma engrenagem complexa de ocultação de recursos, supostamente operada a partir de manobras no Banco Master.
O placar final de 3 a 1 consolidou a posição do relator, ministro André Mendonça. O magistrado, que já havia proferido decisão monocrática pela prisão da dupla, viu seu entendimento ser respaldado pelos votos de Luiz Fux e Nunes Marques. O único a divergir foi Gilmar Mendes, que defendeu a substituição da medida pela prisão domiciliar, especificamente no caso de Henrique Vorcaro, o que não foi suficiente para alterar o resultado do colegiado.
Uma ausência notável marcou a sessão: o ministro Dias Toffoli declarou-se impedido de participar do julgamento. A cautela do ministro tem explicação direta: no início de 2024, ele tornou público que é sócio do Resort Tayayá. O estabelecimento, por ironia do destino ou estratégia financeira, foi adquirido por um fundo controlado justamente pelo Banco Master, centro das investigações criminais.
O histórico do caso remonta ao dia 14 de maio, quando a Polícia Federal deflagrou a sexta etapa da Operação Compliance Zero. A ação colocou sob o foco das autoridades não apenas as movimentações suspeitas dentro da instituição financeira, mas também as movimentações de bastidores envolvendo a possível compra do Banco Master pelo Banco Regional de Brasília (BRB), uma entidade pública vinculada ao Governo do Distrito Federal.
As investigações apontam que tanto Henrique quanto Felipe Vorcaro atuavam como braços operacionais no suposto esquema, garantindo que o fluxo financeiro fosse escondido sob camadas de opacidade. Enquanto os magistrados mantêm a linha dura, a defesa da família Vorcaro sustenta que o encarceramento é uma medida desproporcional e desnecessária para o andamento do processo.
O resultado da votação no STF coloca o grupo sob uma pressão crescente, uma vez que o entendimento atual do colegiado descarta, ao menos por ora, qualquer flexibilização nas condições de custódia enquanto os inquéritos da Polícia Federal avançam sobre as entranhas das operações do Banco Master.












