Colômbia, Colômbia – A Colômbia acordou dividida após confirmar, por uma margem de apenas 250 mil votos, a guinada à direita em sua presidência. No segundo turno realizado no domingo (21), o advogado Abelardo De La Espriella garantiu a vitória com 49,6% dos votos válidos, superando por pouco o senador Ivan Cepeda, que obteve 48,7% com a apuração praticamente concluída.
A vitória de De La Espriella desenha um novo cenário político no país vizinho. Sem nenhuma trajetória prévia em cargos públicos, o presidente eleito acumula as cidadanias norte-americana e italiana, mantém residências em diferentes partes do mundo e contou com o apoio público de Donald Trump durante a campanha. Seu discurso focou fortemente no combate à criminalidade e na responsabilização do atual mandatário, Gustavo Petro — padrinho político de Cepeda —, pela crise econômica e de segurança que atinge os colombianos. Como proposta central de governo, ele promete asfixiar o orçamento público com corte de impostos e uma redução de até 40% na estrutura estatal.
Enquanto os bairros de classe média e alta de cidades como Bogotá e Medellín comemoravam a apuração, o futuro presidente subia ao palco de improviso, vestindo a camisa da seleção colombiana de futebol. No pronunciamento, tentou desarmar a tensão em relação aos seus opositores: “Porque a democracia funciona precisamente quando o povo decide livremente e suas liberdades serão protegidas. Seus direitos ainda serão respeitados. Suas opiniões serão ouvidas. Jamais terão que temer por pensar diferente.”
Desafios no Parlamento
Apesar da festa das forças conservadoras, a governabilidade a partir de agosto — quando ocorre a posse oficial — exigirá forte pragmatismo. O partido do derrotado Ivan Cepeda, embora não tenha conquistado a maioria absoluta, garantiu a maior bancada tanto na Câmara dos Deputados quanto no Senado durante o pleito legislativo de março. De La Espriella terá de negociar cada projeto de lei em um Congresso onde a esquerda mantém forte resistência.
Além da barreira legislativa, o terceiro turno já começou fora das urnas. Ivan Cepeda, que aceitou os números iniciais mas se recusou a reconhecer formalmente a vitória do rival, acionou seus advogados para contestar o resultado em 33 mil urnas sob suspeita de irregularidades. O questionamento judicial promete arrastar a transição de poder para um ambiente de forte litígio e incerteza institucional nas próximas semanas.






