Brasília (DF) – O domingo eleitoral em Roraima trouxe um cenário de incerteza para o Palácio Senador Hélio Campos. Arthur Henrique (PL) alcançou a maioria dos votos na disputa suplementar realizada neste dia 21, alcançando a marca de 160.004 eleitores, ou 60,87% dos votos válidos. Ao seu lado na chapa, o subtenente Velton aguarda, na mesma condição de espera, uma definição que está agora inteiramente nas mãos do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
Embora as urnas tenham encerrado a contagem ainda na noite de ontem, a diplomação da dupla não é um passo automático. O entrave reside em uma decisão anterior do Tribunal Regional Eleitoral local, que barrou o registro das candidaturas. O motivo do bloqueio envolve a complexa regra da desincompatibilização — o afastamento obrigatório de cargos públicos por quem pretende disputar um novo pleito.
Arthur Henrique exercia a chefia do executivo municipal de Boa Vista quando a cassação do governador Antonio Denarium (Republicanos) e de seu vice, Edilson Damião (UNIÃO), abriu a corrida pelas cadeiras do governo estadual. Para entrar na disputa, o político deixou o cargo administrativo seguindo uma diretriz específica do TRE-RR, que autorizava um intervalo de apenas 24 horas.
O imbróglio jurídico ganhou tração quando o Supremo Tribunal Federal interveio no caso. A Corte entendeu que o prazo curto estipulado regionalmente colidia com o que estabelece a Lei Complementar 64/1990. Pela legislação federal, o afastamento mínimo exigido é de três meses, um hiato muito superior ao que o candidato havia cumprido. Agora, o TSE precisará harmonizar essa divergência entre as instâncias para determinar se os votos depositados na urna serão computados ou descartados.
Enquanto a questão não transita em julgado, os outros postulantes observam a movimentação com atenção. A chapa composta por Soldado Sampaio e Tayla Peres (Republicanos) terminou o domingo com 93.897 votos, o que representa 35,72% do eleitorado. Já o grupo de Nelita Frank (PT) e Bartô Macuxi (PSol) registrou 8.948 votos, correspondendo a 3,40% das escolhas válidas.
A tensão em torno da validade do pleito mantém a classe política de Roraima em compasso de espera. Sem uma data definida para o julgamento final em Brasília, o resultado das urnas permanece como uma incógnita, colocando em xeque quem ocupará efetivamente o comando do estado até o fim do mandato vigente.











