Brasília (DF) – O Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) elevou sua meta de financiamento para o combate ao crime organizado e à violência na América Latina e no Caribe. O aporte, que saltou de US$ 2,5 bilhões para US$ 4 bilhões, foi oficializado nesta quarta-feira (5) em Brasília, durante a abertura da Cúpula da Aliança para a Segurança, a Justiça e o Desenvolvimento. A decisão reflete uma pressão inesperada por crédito na região, onde a segurança pública tornou-se a prioridade absoluta dos governos locais.
Ilan Goldfajn, presidente do BID, detalhou que a rapidez com que os países buscaram apoio superou qualquer projeção inicial. Em apenas um ano de operação, quase 60% das metas estabelecidas para o triênio já haviam sido atingidas. O dado ganha contornos de urgência ao observar o desequilíbrio estatístico da região: embora abrigue apenas 8% da população mundial, a América Latina concentra cerca de 33% dos homicídios registrados em todo o planeta.
Para o ministro da Justiça e Segurança Pública, Wellington César Lima e Silva, a estratégia de enfrentamento precisa ser reorientada para atingir o coração das facções. O foco não deve estar apenas nas pontas da violência, mas na desarticulação das redes financeiras que sustentam o crime. Segundo o ministro, as organizações criminosas tornaram-se globais e aproveitam a agilidade dos sistemas financeiros internacionais para lavar capitais e movimentar recursos com velocidade acima da capacidade de reação dos Estados.
A cúpula também formalizou a entrada da Interpol na Força-Tarefa de Resposta Rápida Contra a Violência e o Crime Organizado. O secretário-geral da Interpol, Valdecy Urquiza, ressaltou que a integração entre segurança, justiça e desenvolvimento é indispensável. A nova parceria deve viabilizar missões técnicas e fortalecer a cooperação operacional entre os países, permitindo uma resposta mais célere a crises emergenciais que ultrapassam as fronteiras nacionais.
No âmbito local, um memorando de entendimento foi firmado entre o BID e o governo brasileiro. O pacto destina até R$ 5 bilhões ao Programa Brasil contra o Crime Organizado. Os recursos serão aplicados em quatro frentes prioritárias: o aprimoramento das investigações de homicídios, a modernização da segurança no sistema prisional, o sufocamento financeiro de grupos criminosos e o bloqueio ao tráfico de armamentos, munições e explosivos.
A Aliança para a Segurança, a Justiça e o Desenvolvimento, composta atualmente por 23 países-membros e 14 parceiros estratégicos, trabalha em pilares de modernização institucional e prevenção. Com o encerramento do encontro desta semana, o Brasil assumiu formalmente a presidência temporária da organização. Pelos próximos 12 meses, caberá ao país conduzir as diretrizes para impulsionar políticas que buscam sufocar o crescimento dos mercados ilícitos na região.









