Brasília (DF) – O ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou a abertura de um inquérito pela Polícia Federal para apurar denúncias de interferência estrangeira no processo eleitoral brasileiro. A investigação foca em suspeitas de financiamento oculto de campanha e uso indevido de plataformas digitais para influenciar a vontade dos eleitores, práticas vedadas pelo ordenamento jurídico nacional.
Um dos pontos centrais da decisão, emitida nesta terça-feira (27), envolve a atuação dos executivos Tallis Gomes e Pedro Sang. Segundo informações analisadas pelo ministro, eles teriam agido em nome da empresa Rockbridge Network para captar recursos destinados à campanha do candidato Flávio Bolsonaro nos Estados Unidos. Dino reforçou que, assim como nos Estados Unidos, o Brasil proíbe o financiamento estrangeiro em disputas políticas, ressaltando a importância de proteger a soberania do eleitorado.
A investigação também deve apurar a veiculação de conteúdos pagos por perfis sediados no exterior, com foco no público brasileiro. O ministro citou uma representação enviada ao Tribunal Superior Eleitoral pelo candidato à Presidência Renan Santos, do Missão, que detalhou um padrão de anúncios favoráveis a Flávio Bolsonaro, inclusive com dados extraídos da plataforma de apostas Polymarket, que está bloqueada no Brasil desde 2024.
Além das questões de financiamento, o STF incluiu no escopo do inquérito a atuação de grandes empresas de tecnologia. O ministro mencionou falhas na integridade eleitoral da Meta, apontadas pelo Comitê de Supervisão da empresa em outubro, além de preocupações levantadas por observadores da ONU sobre possíveis assimetrias e manipulações algorítmicas no alcance de publicações durante o período eleitoral.
Outro desdobramento que demandará diligências policiais é a possível relação entre apoio político e interesses econômicos. O tribunal busca esclarecer se a exploração de terras raras e minerais críticos no território nacional teria sido oferecida como moeda de troca para favorecer candidaturas. Dino destacou que, por se tratar de bens da União, qualquer negociação desse tipo violaria o interesse nacional.
A decisão de instaurar o procedimento ocorreu após provocações do PT em uma ação que tramitava no STF. O ministro avaliou que, embora o tema envolva soberania, ele deve ser tratado em investigações próprias sob supervisão judicial. Em nota, o empresário Tallis Gomes negou exercer qualquer função na Rockbridge Network, afirmou não ter participado da campanha de nenhum presidenciável e garantiu que não realizou ou intermediou arrecadação de recursos para fins políticos. Gomes informou ainda que já moveu medidas judiciais contra Renan Santos.











