Brasília (DF) – O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) permanece na mira do Supremo Tribunal Federal (STF) em dois processos criminais distintos, a despeito de sua recente ida para os Estados Unidos. O parlamentar, que enfrenta medidas restritivas como a prisão domiciliar, mantém o foro privilegiado, o que garante a continuidade das apurações sob a relatoria da Corte máxima brasileira.
Um dos inquéritos que envolvem o senador apura esquemas de lavagem de dinheiro relacionados ao mercado de apostas esportivas, as chamadas bets. O foco da investigação recai sobre o advogado Willer Tomaz, cujo nome surgiu vinculado a uma conta da Alcazar Holdings, empresa sediada na Ilha da Madeira, em Portugal, e sob escrutínio da Polícia Federal. Uma secretária de Tomaz teria mencionado o senador em comunicações sobre a movimentação da companhia. Recentemente, o ministro Alexandre de Moraes ordenou o bloqueio de até R$ 6 bilhões de Willer Tomaz, após a PF identificar sua viagem para Miami logo após a deflagração da Operação Sem Desconto, que apura fraudes em aposentadorias.
Paralelamente, o senador figura como investigado em outro inquérito que examina o financiamento do filme Dark Horse, cinebiografia de Jair Bolsonaro. A apuração ganhou tração após a revelação de diálogos de novembro do ano passado, onde Flávio teria solicitado aportes financeiros ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro para viabilizar a produção. Na época, o parlamentar negou qualquer irregularidade, sustentando que os valores envolvidos teriam natureza privada. Contudo, em julho deste ano, o nome de Flávio foi formalmente incluído na lista de investigados no caso.
Mesmo com a proximidade do fim do mandato, que se encerra em 1º de fevereiro, a expectativa é que os processos permaneçam no STF. A jurisprudência atual do tribunal determina que a competência para julgar ex-parlamentares persiste após a saída do cargo, desde que as infrações penais estejam atreladas ao exercício da função pública.
A situação ganhou contornos de crise institucional nesta terça-feira, dia 27, quando relatos indicaram que o senador estaria em território norte-americano, em um movimento articulado com o apoio de figuras políticas internacionais. A saída ocorreu poucas horas após o senador ser notificado pela Polícia Federal, na segunda-feira, dia 26, com a determinação de entregar todos os seus passaportes no prazo de 24 horas. Como o documento não foi apresentado até a manhã de hoje, o cancelamento foi efetivado pelas autoridades.












