Roma, Itália – A Corte de Apelação de Roma postergou para o dia 24 de novembro a análise do pedido de extradição da ex-deputada Carla Zambelli. A decisão atendeu a uma solicitação dos advogados da brasileira, que alegaram não ter tido acesso integral aos documentos enviados pelo governo brasileiro. O material reúne informações detalhadas sobre a estrutura da Penitenciária Feminina do Distrito Federal, conhecida como Colmeia, unidade que receberia a ex-parlamentar caso o retorno ao país seja efetivado.
Este processo trata especificamente da condenação de Zambelli por porte ilegal de arma de fogo e constrangimento ilegal. O caso remonta a outubro de 2022, quando, nas vésperas do segundo turno das eleições, a ex-deputada sacou um revólver e perseguiu um jornalista pelas ruas de São Paulo. Por este episódio, o Supremo Tribunal Federal (STF) impôs uma pena de cinco anos e três meses de prisão, a ser cumprida inicialmente em regime semiaberto.
Embora a extradição tenha recebido sinal verde em primeira instância na Itália, a defesa recorreu com sucesso à Corte de Cassação. O argumento central dos advogados, liderados por Eduardo Maurício, é que o sistema carcerário brasileiro seria degradante e que a extradição representaria um risco severo à integridade física da cliente. Em nota, a defesa reforçou que, sem a análise da documentação, não seria viável garantir o exercício do contraditório, especialmente no que tange às questões de saúde da ex-deputada.
Esta não é a primeira vez que o Judiciário italiano avalia a situação de Zambelli. Anteriormente, ela foi alvo de outro pedido de extradição relacionado à invasão dos sistemas do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), ocorrida em 2022. Naquela ocasião, a Corte de Cassação italiana barrou a entrega, citando suposta falta de imparcialidade por parte do ministro Alexandre de Moraes, relator do caso no STF.
A trajetória jurídica de Zambelli no Supremo é marcada por condenações recentes. Em 2025, a Primeira Turma do tribunal fixou dez anos de reclusão para a ex-deputada, culpando-a pela invasão dos sistemas informáticos do CNJ. O objetivo da ação, segundo o julgamento, era inserir um mandado de prisão falso contra Moraes, em uma tentativa de desestabilizar o Poder Judiciário durante o pleito presidencial.
Zambelli deixou o Brasil utilizando seu passaporte europeu logo após a primeira condenação, passando pelos Estados Unidos antes de se fixar na Itália, onde buscou refúgio sob a justificativa de perseguição política. Ela chegou a ser detida em Roma, mas foi liberada após a negativa do primeiro pedido de extradição. Agora, ela permanece na capital italiana enquanto o novo julgamento segue pendente no calendário europeu.












