Brasília (DF) – O encerramento do segundo turno das eleições foi marcado por um embate de bastidores e críticas públicas vindas da cúpula da Justiça Eleitoral. O presidente do Tribunal Superior Eleitoral, ministro Kassio Nunes Marques, afirmou neste domingo que a decisão do ministro Cristiano Zanin, do Supremo Tribunal Federal, que estendeu em duas horas o período de votação, causou embaraços operacionais ao pleito.
Durante a entrevista coletiva destinada a apresentar o balanço da votação, o chefe do TSE relatou que a ordem judicial chegou às mãos dele somente após as 17h, momento em que os locais de votação já deveriam estar fechados pelo horário oficial. Ele enfatizou que o tribunal jamais havia lidado com uma determinação anterior voltada à ampliação do tempo de funcionamento das urnas.
O pedido de prorrogação havia chegado à presidência da corte eleitoral por volta das 15h30. Diante disso, a equipe técnica foi acionada para avaliar a viabilidade, embora inexistisse qualquer norma regulamentar que previsse a medida. Como a presidência não emitiu uma decisão a tempo, a campanha recorreu diretamente ao Supremo, resultando na liminar assinada por Zanin para estender o prazo até as 19h.
A controvérsia jurídica emergiu em meio a um cenário de denúncias formalizadas pela campanha do presidente reeleito Luiz Inácio Lula da Silva. Houve registros de limitação na circulação de transporte coletivo voltado aos eleitores em dez unidades da federação, abrangendo Piauí, Paraíba, Paraná, Pará, Rio de Janeiro, São Paulo, Alagoas, Pernambuco, Roraima e Bahia.
Questionado sobre as falhas logísticas relatadas ao longo do dia, o dirigente máximo da justiça partidária assegurou que todos os episódios serão investigados rigorosamente. Segundo ele, eventuais deficiências na oferta de ônibus serão enfrentadas pelo órgão, a quem a Constituição confere a exclusividade na gestão e condução do processo eleitoral no país.












