Brasília (DF) – A Polícia Federal oficializou ao presidente do Supremo Tribunal Federal, ministro Edson Fachin, que detém a guarda integral do material extraído do aparelho celular pertencente ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro. Em documento enviado neste domingo, a instituição detalhou que o dispositivo e os arquivos originais permanecem sob custódia com todos os lacres preservados, mantendo ativos os mecanismos de verificação de integridade digital.
O posicionamento da PF responde diretamente a uma solicitação feita por Fachin na noite de sábado, motivada por impasses sobre a disponibilidade das informações. O presidente da Corte buscou esclarecimentos sobre a custódia após o ministro André Mendonça, relator do caso Master, restringir o acesso ao conteúdo. Mendonça argumentou que a cópia sob sua responsabilidade deveria permanecer inacessível, sendo mantida apenas para eventual reposição caso o material original, de responsabilidade da polícia, fosse extraviado.
Diante desse cenário, a PF reiterou que possui plenas capacidades técnicas para realizar o envio de cópias idênticas dos dados a todos os integrantes do tribunal que demandarem o conteúdo. Até o momento, os ministros Alexandre de Moraes e Cristiano Zanin já manifestaram formalmente o interesse em receber a íntegra das informações extraídas durante as investigações.
A tensão em torno da transparência dos dados ganhou novo capítulo com a atuação da Procuradoria-Geral da República. O procurador-geral Paulo Gonet reforçou ao STF, por duas vezes nos últimos dias, a urgência de garantir acesso igualitário ao acervo antes da sessão plenária agendada para esta terça-feira. Para a PGR, a manutenção de um acesso restrito cria uma assimetria indesejada, comprometendo a paridade entre os magistrados e a própria dinâmica de julgamento colegiado.
O impasse teve origem após Fachin ordenar a derrubada do sigilo sobre as investigações do Banco Master. Enquanto o relator optou por uma liberação apenas parcial do conteúdo, sem o compartilhamento da mídia digital extraída, a PGR sustentou que o conhecimento integral dos fatos é um requisito indispensável para a deliberação dos demais ministros. Com a confirmação técnica da Polícia Federal, o caminho para a distribuição das informações foi oficialmente aberto, restando agora o trâmite operacional para que o material chegue aos gabinetes antes do prazo limite estabelecido pela pauta do STF.










