Rio de Janeiro (RJ) – O confronto entre Vasco da Gama e Boca Juniors, válido pela semifinal da Copa Sul-Americana e marcado para o dia 20 de outubro, às 21h30, ganhou um novo capítulo na esfera administrativa. O Grupo de Atuação Especializada do Desporto e Defesa do Torcedor, vinculado à Procuradoria-Geral de Justiça do Rio de Janeiro, expediu uma recomendação formal à concessionária Fla-Flu Serviços S.A. para que o Estádio do Maracanã seja disponibilizado para o evento.
A determinação baseia-se em um parecer técnico da Polícia Militar, que vetou a utilização de São Januário para o embate. Para a corporação, o Maracanã oferece melhores condições estruturais, englobando quesitos vitais como a mobilidade urbana, o controle de fluxo na entrada e saída de torcedores e a capacidade total de público. A PM enquadra o duelo como um evento de alta complexidade, dada a natureza eliminatória da fase e a expressiva movimentação de ônibus com torcedores argentinos.
Anteriormente, a concessionária havia indeferido o pedido do Vasco, alegando a necessidade de preservar o estado do gramado devido ao calendário apertado de jogos. No entanto, o Ministério Público contrapõe essa visão ao afirmar que, embora a manutenção do campo seja um interesse válido, ela não pode se sobrepor à segurança coletiva, que envolve desde os espectadores da partida até os moradores e transeuntes do entorno. O órgão destacou, ainda, que danos ao relvado são reversíveis e passíveis de ressarcimento.
Além da demanda específica para o jogo da Sul-Americana, o documento traz uma exigência de longo prazo para a gestão do estádio. Foi fixado um prazo de 30 dias para que a concessionária estabeleça e publique critérios claros, transparentes e isonômicos para o aluguel do espaço por qualquer agremiação esportiva. A medida visa evitar decisões arbitrárias sobre a utilização da arena.
Essas diretrizes futuras deverão contemplar intervalos mínimos entre partidas, a documentação técnica necessária e as prioridades do calendário, inclusive em relação a eventos não esportivos. Caso novos pedidos sejam recusados pela gestão, o órgão ministerial exige que as negativas sejam devidamente justificadas, com embasamento técnico detalhado e aplicado de forma igualitária a todos os clubes que buscarem o Maracanã como palco de suas partidas.











