Brasília (DF) – O ambiente escolar é visto por especialistas como o ponto de partida para frear a epidemia de obesidade infantil. Na última terça-feira (12), a Comissão de Educação e Cultura do Senado discutiu o PL 4.501/2020, proposta do senador Jaques Wagner (PT-BA) que visa banir frituras, gordura hidrogenada e alimentos ultraprocessados das cantinas brasileiras.
A definição de ultraprocessados abrange produtos carregados de aditivos químicos, como salgadinhos, refrigerantes e biscoitos recheados, que priorizam a durabilidade em detrimento do valor nutricional. O projeto exige que as escolas ofereçam ao menos três opções de lanches saudáveis diariamente, com preferência por itens in natura, orgânicos e produzidos regionalmente.
Camila Mantovani, do Pacto Contra a Fome, trouxe dados que revelam como as crianças atuam como agentes multiplicadores: quando bem orientadas no colégio, elas levam hábitos melhores para dentro de casa. O levantamento feito com o Instituto Pensi mostra que pais confiam na escola como um polo de saúde, especialmente entre famílias de instituições particulares, onde a preocupação com o consumo desses produtos é maior.
O impacto vai além da obesidade. Edson Hilan Gomes de Lucena, do Ministério da Saúde, alertou que o excesso de açúcar desses itens causa cáries severas, independentemente da classe social. Para o especialista, a regulação é uma ferramenta essencial para tornar a escolha saudável o caminho mais simples no cotidiano dos alunos.
Marília Albiero, da ACT Promoção da Saúde, rebateu críticas de que a dieta seria responsabilidade exclusiva dos pais. Segundo ela, o poder público precisa intervir para equilibrar o jogo contra o marketing agressivo e os preços dos ultraprocessados. A estimativa é que 46 milhões de estudantes seriam beneficiados pela mudança, que ela defende ser perfeitamente sustentável para os donos de cantinas.
A discussão também tocou em pontos sensíveis como a tributação. Bruna Pitasi Arguelhes, do Ministério do Desenvolvimento Social, sugeriu impostos seletivos para esses produtos. Ela lembrou que as cantinas ocupam 90% das escolas privadas e cerca de 22% das públicas, tornando o espaço um território decisivo para o desenvolvimento de gerações futuras.










